Mais tardia entre as três primeiras igrejas evangélicas de Londrina, fundadas entre 1932 e 1936, a Presbiteriana Central começou com 38 membros e deu origem a 14 igrejas e nove congregações no município, que reúnem mais de 3,5 mil fiéis. É o panorama em que a Igreja ''mãe'' celebra 75 anos, associando espiritualidade e participação no desenvolvimento da cidade, com iniciativas que determinaram instituições assistenciais, a construção do Hospital Evangélico e a expansão de estabelecimentos de ensino até a universidade (UniFil), nestes dois últimos casos com a participação de outras Igrejas. As contribuições da Presbiteriana chegaram ao Legislativo, por vereadores, e ao Executivo com um secretário municipal.
''É ampla a participação em todos os setores'', diz Elzi de Almeida Ferreira, historiadora dos 75 anos, que se completaram em 19 de julho. ''Com o capital inglês e a ética protestante, em poucas décadas o Norte do Paraná se transformou em um lugar de oportunidade e progresso'', disse o atual pastor titular, Osni Ferreira, sobre a efeméride. Entre os desbravadores, estavam ''alguns irmãos presbiterianos que vieram de Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e outros Estados e que, com muita fé e coragem, se estabeleceram aqui na nova cidade''.
Procedentes de Alto Jequitibá, Minas Gerais, o casal Olívia Cesar Faria-Pedro Belarmino de Faria, a filha, Zaíra, e o marido, Darcírio Egger, chegaram em 1935 e logo, em novembro, receberam a visita do reverendo Henrique de Oliveira Camargo, pastor da Igreja Presbiteriana de Sengés, também no Paraná. Em julho de 1936, a moradia da família, construída de madeira na rua Sergipe, 822, foi adaptada para cultos.
''Minha casa tem dois cômodos, tiro a parede do meio e vamos começar a Igreja'', recordaria Pedro Belarmino. Improvisaram-se bancos com tábuas apoiadas em ''caixotes de querosene'' (o combustível de lampiões vinha em latas de 20 litros em caixote), forrados com tecido branco, ''carinhosamente bordados'' pelas pioneiras.
Em 19 de julho de 1936 a igreja é oficializada, pela comissão do Presbitério Norte do Paraná, que veio de Sengés, integrada pelos pastores Henrique de Oliveira Camargo e Djalma Maingué e o presbítero Ambrósio Jorge. Incluindo moradores da zona rural e quatro famílias da cidade, as de Pedro Belarmino de Faria, Américo Lima, Antônio Ramos Valença e Darcírio Egger, a Igreja tem 38 membros; eleitos dois presbíteros e dois diáconos, um de cada família.
Por 1 conto e 200 mil réis duas prestações, a Igreja compra um terreno na então Rua do Comércio (atual Benjamin Constant, 1.647), e a vendedora, a Companhia de Terras Norte do Paraná, lhe doa outro, contíguo. Ali, o empreiteiro Firmino Bueno ergue um pequeno templo de madeira, por 5 contos e 900 mil réis incluindo no preço uma mesa (1,80x1,80 centímetros), 20 bancos de dois metros, um púlpito e cerca na metade do terreno. A construção é paga com um empréstimo de 6 contos de réis do presbítero Ambrósio Jorge, sem juros e para serem pagos quando fosse possível.
O templo é inaugurado em 7 de setembro de 1936 e a assistência a cargo de pastores itinerantes prosseguirá até que se efetive o reverendo Djalma Maingué, em 1939. No período 1936-1950, a Igreja reuniu 24 famílias, homenageadas na programação dos 75 anos. Zaíra Faria Egger seria a personalidade mais longeva, se não tivesse morrido pouco antes, em outubro de 2010.
Mas, dos fotografados em 1939 em frente à Igreja, entre os que eram crianças, os irmãos Wellington e Leila Werner, filhos de Ruth Emerick e Ildefonso Werner; Marli, filha de Zaíra e Darcírio Egger; e Rubens Braga Ferreira, filho de Judite Braga e Jairo Ferreira estão presentes aos 75 anos. Uma síntese da continuidade familiar é dada por Wellington: ôNão me deixei levar por situações que, às vezes, foram motivo para outros deixarem a Igreja. Achava que aqui [a Igreja] era o meu lugar". Wellington Werner é formado pela Faculdade Nacional de Medicina (Rio de Janeiro) e integrado ao Hospital Evangélico, no quadro de anestesiologistas.

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