Atualmente a Rua Ceará situa-se no Jardim Castelo (Zona Leste de Londrina), mas desde a primeira planta da cidade, desenhada em 1932, existiu no Centro, até 27 de setembro de 1962, quando a lei municipal nº 754 mudou o nome para Rua Prefeito Hugo Cabral, que exercera o cargo no período 1947-1951. Aos 73 anos, Hugo Cabral morreu em 2 de setembro de 1962 e a escolha da rua, para ter o seu nome, não poderia ser melhor: era cearense de Quixadá.
''Ousava dizer: um pedaço do meu coração está no Ceará e o outro, em Londrina'', relatou o historiador Alberto Zortéa que o conheceu e classificou de ''o maior prefeito, atendendo-se às circunstâncias em que assumiu o governo municipal''. Era formado em agronomia na Suíça, segundo Zortéa, e pela Escola de Comércio do Rio de Janeiro.
Hugo Cabral sofria com a pressão alta e diabetes e tivera um derrame. Deixou a esposa, Alexandrina, e três filhos: Sandra, Hugo Filho e Fernando.
Bem-sucedido em atividade urbana, Hugo Cabral saiu do Rio de Janeiro em 1935, a então ''cidade maravilhosa, cheia de encantos mil'' (como a definira André Filho na marcha que se tornou hino), para ser fazendeiro ao sul de Londrina, ainda sertão. Introduziria os primeiros zebuínos na região. Em 1946, fundou a Associação Rural de Londrina, com 36 sócios, origem da Sociedade Rural do Paraná.
E com a redemocratização pós-ditadura Vargas, é o prefeito eleito em 1947, entre cinco candidatos.
Há o consenso de que Hugo Cabral estabeleceu um paradigma de eficiência. Indo além das próprias realizações, planejou para que houvesse a indispensável continuidade, pela qual os sucessores pudessem atingir as metas de longo prazo. Legou instrumentos, entre os quais a lei que permitiria a emissão de apólices do Município, até o limite de 60 milhões de cruzeiros, para financiar a construção do sistema de água e esgoto. Ante o risco de caos urbano pela ausência de zoneamento, convidou Prestes Maia para redimensionar a cidade, embora existisse há apenas 20 anos.
Urbanista que se notabilizara no cargo de prefeito paulistano, Prestes Maia pôs em perspectiva a ''Londrina classificável numa categoria superior, de cidade regional de primeira classe, tirante as capitais'', argumentou justificando a Lei 133/51, contendo a suas diretrizes.
Caso à parte das cidades interioranas em sua maioria (''meramente locais, pobres e estacionárias''), ''Londrina é totalmente diferente, porque é cidade em plena prosperidade e em rápido crescimento, com possibilidades longe de esgotadas, dotada de repartições técnicas razoáveis e ainda ampliáveis''.
O horizonte na visão de Prestes Maia naquele momento seria ocupado pela realidade atual, 60 anos depois. E ainda ''com as possibilidades longe de esgotadas''. Quando uma geração mais recente afirma que Londrina adquiriu ''o poder da autogestão'', pois a infindável sucessão de maus prefeitos ainda não conseguiu afundá-la, provavelmente está evocando Hugo Cabral, o libertador da urbanização.

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