Há 40 anos acontecia a Guerra do Pente
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Há exatos 40 anos, mais de 50 mil pessoas foram às ruas de Curitiba protestar durante três dias. O estopim da maior revolta popular que a cidade assistiu até hoje foi a compra de um pente. A Guerra do Pente, como o episódio se tornou conhecido nacionalmente, só terminou com a intervenção do Exército depois de contabilizar mais de 100 feridos e 30 milhões de Cruzeiros em prejuízo. Já que a polícia não foi páreo para a população enfurecida nos dois primeiros dias do protesto.
Por volta das 18 horas do dia 8 de dezembro de 1959, o sub-tenente da Polícia Militar, Haroldo Tavares, foi à Praça Tiradentes, reduto de comerciantes descendentes de sírios e libaneses e pejorativamente apelidada de Turquia. Entrou no Bazar Centenário (na rua Cândido Lopes, no trecho entre a Avenida Mal. Floriano e Monsenhor Celso) foi atendido pelo dono, o comerciante sírio Hermede Najar. Tavares achou caro o preço do pente 15 Cruzeiros , mas resolveu pagar e pediu a nota fiscal. Naquela época o governo estadual havia criado uma promoção para reforçar o orçamento Seu talão vale um milhão. A cada 5 mil Cruzeiros em compra, o consumidor recebia cupons e concorria a prêmios.
Najar negou a nota para Tavares. Os dois discutiram e começaram a brigar. Vários populares que acompanhavam a briga começaram a ameaçar Najar. Ele tentou fechar as portas da loja, mas já era tarde. A partir dali, com a multidão já acrescida por centenas de pessoas que estavam nas filas de ônibus começou o quebra-quebra. A loja de Najar foi inteiramente depredada e, em seguida, várias outras quitandas e estabelecimentos de sírios e libaneses do centro da cidade.
Com a participação de estudantes secundaristas que faziam um comício na Praça Osório, o tumulto se tornou incontrolável. À noite a polícia militar foi às ruas tentar conter os manifestantes. Atacou com violência: bombas de gás lacrimogênio, cacetadas e tiros para o alto. Mas foi recebida a pedradas e pauladas. No primeiro dia da Guerra do Pente o saldo foi de mais de 50 feridos, entre eles o chefe de polícia, Alfredo Pinheiro Junior e muitos presos.
Na manhã do dia seguinte tudo recomeçou e com ainda mais violência, já que os estudantes foram liberados das aulas por causa dos estragos. A polícia prendia alguém e os manifestantes conseguiam libertá-los. Ns escadarias da Biblioteca Pública, os discursos eram contra tudo e contra todos. A revolta só começou a ser controlada por volta das dez da noite, quando o exército colocou suas tropas e tanques nas ruas.A simples compra de um pente transformou-se numa revolta que envolveu cerca de 50 mil pessoas em Curitiba
ReproduçãoPROTESTOA Guerra do Pente foi a maior revolta popular já acontecida em Curitiba e notícia de destaque na revista O Cruzeiro. A polícia precisou do reforço do exército para conter a população





