‘‘As pessoas não entendem, perguntam ‘por que tanto sacrifício se tem café pronto vendido no mercado?’’’, observa a técnica em laboratório Maria Yoshie Yoshikawa, 58 anos. Maria mantém um pé de café em seu quintal, em meio a várias outras plantas, há mais de 35 anos. ‘‘Antigamente aqui era tudo cafezal, então preservamos um pé daquela época’’, revela, explicando que, para evitar que a planta adoeça, a cada 5 anos em média o pé é trocado por uma muda originária da própria planta. ‘‘Meu avô foi cultivador de café.’’
  O café integra a composição de um jardim muito bem cuidado, e, além de homenagear o avô, preservar a planta ali ainda é uma forma de manter a mãe, Tomiko, de 85 anos, em atividade. ‘‘É ela quem abana, torra e mói o café. Acaba servindo como um hobby, é uma maneira de manter a cabeça lúcida, e é um prazer para ela relembrar os velhos tempos’’, explica.
  Sem o pilão para descascar os grãos à maneira antiga, Maria recorre à Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘Junto uma boa quantidade e levo. Lá eles têm um descascador eletrônico’’, revela. Maria é funcionária da UEL, o que facilitou o acesso também aos profissionais que entendem do assunto. ‘‘Aprendi que dependendo do modo como você colhe, a qualidade fica diferente. Não pode catar o grão do chão, porque cria um tipo de fungo e cai a qualidade’’, repassa.
  Mas há ainda uma outra razão para ela, a mãe e a irmã (que também mora na casa) preservarem esse hábito tão trabalhoso: a paixão pelas plantas e pela natureza. ‘‘Quando dá flor, o pé de café fica branquinho, é a coisa mais linda. As pessoas que passam em frente comentam, relembram de antigamente. É por isso que eu gosto da natureza. Ela tem história.’’(A.I.)

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