Há 28 anos, paciente ganhava nova perspectiva de vida
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sábado, 11 de agosto de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Onze filhos que paparicam o pai com muito carinho já seria motivo de sobra para que o aposentado Assis dos Santos de Oliveira, de 83 anos, tivesse um Dia dos Pais de muita comemoração. Mas neste domingo, a festa promete ser ainda mais especial: o lavrador catarinense completa 28 anos desde que se submeteu, em 1979, à primeira angioplastia com balão feita na América Latina.
Nesse tempo, Oliveira, que continua cuidando de sua lavoura em Lages (SC) tem que cumprir uma rotina. Uma vez por ano, ele viaja a Curitiba, sempre acompanhado por algum dos filhos, para se submeter a exames cardiológicos, que vão dizer como está o seu coração. O exame é mais do que necessário, já que após a primeira angioplastia, Assis passou por mais três intervenções semelhantes para desobstrução das coronárias. Todas com sucesso.
''Ele é teimoso, trabalha muito. Eu não faço o que ele faz'', diz a filha mais nova, Elisabete Oliveira Ribeiro, mostrando que a saúde do pai vai muito bem. ''Ele capina, planta, colhe milho, feijão, cuida dos animais, porco, galinha. Só ajudo na faxina da casa do pai e na lavagem das roupas. O resto ele faz tudo sozinho.'', diz.
Orgulhoso, Oliveira concorda e conta que mora sozinho em Lages, onde cuida de sua lavoura sem precisar de ajuda. ''Quando voltar, já está na hora de capinar tudo de novo'', lembrava, preocupado anteontem de manhã, logo depois de passar por uma angiotomografia, exame que permite a análise do coração por imagem tridimensional.
O cardiologista Costantino Roberto Costantini trata seu paciente de tantos anos com carinho. ''Ele é a história viva da doença coronária e do seu tratamento'', diz o médico. Oliveira teve a doença coronária diagnosticada depois de apresentar fortes dores no peito. Exames comprovaram o estreitamento da carótida direita, sendo necessária uma cirurgia cardíaca. O cardiologista, no entanto, propôs a técnica, ainda pouco conhecida, da angioplastia.
A doença coronária, segundo Constantini, é evolutiva, ou seja, não tem cura e mesmo sob tratamento é comum o seu retorno. Foi o que aconteceu com Oliveira, que apresentou o quadro de novos entupimentos das coronárias, sempre em pontos diferentes, tendo que passar por novos procedimentos de angioplastia, inclusive com a colocação de stents (uma prótese que é colocada na região do estreitamento para não permitir que a artéria feche de novo). Na última intervenção, em 2005, foram implantados quatro stents, agora com medicamentos, considerado o método mais moderno.
Constantini conta que, em 1979, chegou a ser criticado ao usar a angioplstia, mas o procedimento acabou se mostrando um marco histórico no tratamento da doença coronária. Segundo o médico, antes a angioplastia era indicada apenas para lesões de apenas uma artéria, e hoje, com o uso de stents, o procedimento foi ampliado também para casos em que há lesões de mais de uma artéria. A angioplastia, segundo ele, que antes era usada apenas em caso de angina estável, hoje é também a primeira opção de tratamento em infarto agudo do miocárdio. Uma das vantagens da técnica é a rápida recuperação, que leva apenas alguns dias.


