Há 14 anos família tenta encontrar filho
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - No dia 10 de outubro de 1994, a dona de casa Ilse Maria Picagna, de Corbélia (Oeste), escutou o filho dizer que iria jogar bola em um ginásio da cidade. Era final de tarde de uma segunda-feira. Ele gostava de futebol e nunca recusava um convite como aquele. Fã de diferentes modalidades de esporte, o jovem Everton, de 13 anos, possuía diversas medalhas de provas de natação que participara no município.
Mais tarde Ilse percebeu que o filho ainda não havia chegado mas resolveu esperar mais um pouco. Acabou dormindo e quando acordou, de madrugada, foi até o quarto do jovem. Não havia ninguém. Chamou o marido e começaram a procura. Percorreram hospitais e casas de amigos. Em seguida foram notificar o desaparecimento na delegacia da cidade.
No outro dia a bicicleta de Everton foi encontrada em uma estrada na saída da cidade. Esta foi a última pista do desaparecimento do jovem. Há 14 anos a família não tem qualquer notícia que possa levar ao suspeito do crime ou ao paradeiro do filho. As poucas pistas surgidas eram todas falsas.
O desaparecimento de crianças não é um problema apenas de grandes metrópoles. Conhecida como ''cidade das flores'', Corbélia possui 15 mil habitantes. Em 1994 este número era ainda menor. Mesmo assim Everton sumiu. Hoje a família enfrenta dificuldades. Ilse tem 59 anos e pesa 47 quilos. Em todos estes anos teve depressão por diversas ocasiões. O marido se tornou alcoólatra.
Medo transferido -
O casal tem mais dois filhos, hoje com 39 e 37 anos. Eles são casados e cada um possui um filho de cinco anos. As crianças são proibidas de chegar perto do muro da casa. Quando estão brincando no jardim e alguém se aproxima do portão, já correm para dentro. Elas sabem que 'o velho do saco levou o tio Everton'.
''Cada dia a dor é maior. Hoje é ainda pior que o dia do desaparecimento. Mas ainda tenho esperança de achá-lo, vivo ou morto'', conta a mãe. Hoje Everton teria 29 anos. Uma foto do jovem na estante da sala mantém viva a memória da família daquele rapazinho corinthiano que saiu de casa para jogar futebol e, como uma bola roubada, nunca mais apareceu.
A família argumenta que ''a lei não trabalhou como deveria'' e se queixa de falhas nas investigações. Atualmente, porém, ninguém fala sobre o caso na cidade. A FOLHA entrou em contado com a delegacia de Corbélia, mas um escrivão disse que informações não poderiam ser fornecidas, já que não trabalhavam na delegacia na época do desaparecimento. A promotora do Fórum da cidade não quis atender a reportagem e disse, por meio da secretária, que está no cargo há pouco tempo e que somente a mãe de Everton poderia dar mais informações.
Como Everton sumiu quando tinha 13 anos, o caso não pode ser atendido pelo Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). Nesse órgão são investigadas apenas as crianças que tinham até 11 anos quando sumiram.


