Guilherme está desaparecido há 8 anos
James Alberti
Há exatos oito anos a securitária Arlete Caramês, 55 anos, vivia o pior dia de sua vida, como ela própria define: o único filho, Guilherme Caramês Tiburtius, então com 8 anos, desaparecia misteriosamente enquanto ela trabalhava. A casa da família, em frente a um bosque no bairro Jardim Social, passaria a refletir a ausência do menino. Desde então, Arlete tem vivido na busca de informações.
Os sete meses seguintes ao desaparecimento ela acompanhou de casa o trabalho da polícia, deixando de lado o emprego. Como as buscas não deram resultado, Arlete voltou a trabalhar, mas nunca deixou de procurar o filho, que em 15 de janeiro do ano 2000 completa 17 anos. Infelizmente a polícia trabalha com pistas e nós não temos nenhuma, lamenta.
O delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) afirma que tudo que estava ao alcance da polícia foi feito. As buscas, afirma ele, acontecem, principalmente, na Europa através da Interpol. Arlete acredita que Guilherme está realmente fora do Brasil.
Nem mesmo o Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida, criado em 4 de abril de 1992, por ela e outras mães que perderam os filhos, foi suficiente para localizar Guilherme. Sem notícias, a dúvida e a esperança consomem a vida de Arlete. Para acabar com a angústia, ela afirma preferir a verdade, mesmo que o filho esteja morto. Prefiro encontrar o Guilherme morto a nunca saber de nada. Eu quero a verdade, seja ela qual for, diz. Essa incerteza acaba com a gente.
Apesar da falta de pistas, Arlete acredita que alguém próximo a ela sabe o que aconteceu com o menino. Alguém viu o que houve com meu filho e se omitiu, afirma. Abatida pela lembranças que a data de hoje lhe traz, ela faz apelos repetitivos à reportagem. Eu tenho direito de saber o que aconteceu, faça um apelo para que as pessoas falem o que sabem, diz. Para tentar achar o filho, a securitária usa a divulgação como meio. Além da procura, Arlete convive com a insegurança, pois sabe que um reencontro com Guilherme não seria fácil. Sei que vai ser bonito, mas será triste também.





