Guias indicam que
não há falta de leitos
O problema de superlotação nos hospitais em Londrina não está na falta de leitos, segundo Rosângela Libanori, do controle e avaliação da Secretaria Municipal de Saúde. Ela faz a afirmação baseada nas guias de internação hospitalar emitidas pelos hospitais mensalmente para o recebimento de diárias do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os pacientes do SUS, segundo Rosângela, têm direito a 30 mil diárias/mês, mas os hospitais emitem em média 20 mil diárias/mês, o que indica que sobra uma média mensal de 10 mil diárias. ‘‘Que seriam suficientes para internar mais dois mil pacientes, levando em conta que o período médio de internação é de cinco dias e que para cada leito há 30 diárias’’, afirma.
Londrina, segundo ela, tem mil leitos para pacientes do SUS, sem contar leitos de UTI. De acordo com levantamento feito em 1993, esta quantidade é necessária para atender Londrina e região, levando em conta o crescimento populacional até o ano 2000.
Rosângela afirma que o problema está na má utilização de leitos, falta de investimento do Estado em saúde e nas regiões que não atendem seus doentes. A má utilização de leitos ocorre, de acordo com ela, principalmente no Hospital Universitário, que tem uma rotatividade muito lenta de leitos.
‘‘Na parte de pronto-socorro eles têm um atendimento muito bom. O problema está na resolutividade de pacientes internados em clínicas. São pessoas que ficam até um mês internadas esperando uma vaga para fazer tomografia, por exemplo. Ou tomando dipirona e fazendo uma dieta geral. São casos que poderiam ser tratados ambulatorialmente’’, afirma.
O diretor-clínico do HU, Sylvio Villari, afirma que não existe má utilização de leitos e que a superlotação é real. A demanda atual exige, de acordo com ele, que o hospital passe por reforma e ampliação, dobrando a quantidade de leitos ofertada - 305.
Outra questão apontada por Rosângela é o baixo investimento do Estado em saúde ‘‘Infelizmente, hoje o Estado é omisso na questão da saúde. Enquanto a União investe mais de 9% e o município chega a investir 20% de seu orçamento, o Estado investe 3%’’, afirma. O município recebe da União R$ 680 milhões para a saúde e investe nesta área mais R$ 58 milhões por ano de seu orçamento.
Quanto à demanda de pessoas de fora de Londrina, Rosângela afirma que o Município, junto com a 17ª Regional de Saúde, faz um levantamento para obter um diagnóstico da região quanto à saúde pública. ‘‘Queremos saber como os municípios da região estão quanto a equipamentos, recursos humanos e funcionamento de hospitais.’’ A partir deste levantamento, que tem prazo até 13 de setembro para ser concluído, serão definidas medidas para que cada prefeito invista em saúde na sua cidade. (E.P.)

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