A guia Benedita Silva de Moraes, 54 anos, que junto com a guia Amélia dos Santos de Oliveira, organizou a excursão para Guaratuba (PR) que terminou em tragédia na madrugada de sexta-feira, afirmou que antes da viagem, ao ver o ônibus que faria a viagem, não gostou das condições do veículo. Ela é guia de excursão há 15 anos e, assim como Amélia, não tem autorização da Embratur, conforme exige decreto lei de 1992.
''Eu cheguei a comentar com meu marido que os passageiros que estão acostumados a viajar comigo iriam estranhar as condições do ônibus quanto ao conforto'', afirmou. Benedita teve a perna quebrada na tragédia que resultou, até ontem à tarde, em cinco mortos e 36 feridos.
Apesar de considerar o ônibus desconfortável, a guia disse que não chegou a desconfiar que tivesse problemas mecânicos. ''O Antônio (Ribas proprietário da empresa Jataitur) disse que o ônibus tinha sido revisado e que estava em condições de viajar'', afirmou. Vizinha de Antônio Ribas, Benedita afirmou que ele tinha um ônibus Volvo que ficava estacionado em frente da sua casa que estava em mau estado.
''Eu falei para ele que com aquele veículo eu não viajaria. Ele disse que era outro, e realmente viajamos com um Scânia'', disse. Benedita afirmou que lamenta muito a tragédia, mas que não se sente responsável pelo acidente. ''Minha responsabilidade com os passageiros é socorrê-los caso passem mal dentro do ônibus, não deixar nenhum deles sem embarcar de volta, e preencher a lista de passageiros com seus nomes e documentos e encaminhar para a empresa. Fiz tudo corretamente, agora não posso responder por problemas mecânicos no ônibus'', disse.
Benedita afirmou que nunca ouviu falar na empresa Jataitur e que apesar de ter estranhado as condições do ônibus, confiou no proprietário do veículo. ''Eu conversei com o Antônio e ele disse que fazia fretes de estudantes e professoras e que também já tinha feito excursões para vários lugares'', disse.
Em contato com a Folha por telefone, Ribas afirmou que a documentação da empresa está regular, inclusive com o seguro obrigatório em dia e vistoria realizada pela Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU). ''Tenho todos os papéis em mãos para comprovar que a empresa está regular. O único documento que falta é a licença para viagens interestaduais, mas já estava em processo de regulamentação'', disse. (Colaborou Guto Rocha)

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