Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
A guia de turismo gaúcha Escarlete Martins Vieira, de 52 anos, passou de vítima de sequestro a acusada de estelionato em Ciudad del Este (Paraguai). O juiz Miguel Melitón Ferreira determinou a prisão dela depois de acatar a denúncia de estelionato feita pela comerciante de cigarros paraguaia Célia Martinez Gimenez de Franco, de 31 anos. Ela acusou a guia de lhe passar vários cheques sem fundos, no valor de aproximadamente R$ 25 mil.
No depoimento à Justiça, Célia admitiu ter sequestrado a guia de turismo com o objetivo de cobrar uma suposta dívida de US$ 25 mil. A guia foi sequestrada no último dia 23, depois de fazer uma compra no valor de R$ 7 mil na loja de Célia. Após as compras, a comerciante teria encarregado dois funcionários de levar Escarlete e fazer o transporte da mercadoria até o ônibus de turismo, estacionado a cerca de dez quadras do local.
Valquíria Vieira, 24 anos, filha de Escarlete, teria permanecido na loja para aguardar o retorno da mãe. Passados cinco minutos, o sequestro teria sido anunciado pela comerciante, que teria pedido um resgate de R$ 20 mil. Em troca da libertação da mãe, Valquíria teria dado no ato os R$ 3 mil que restavam na carteira.
A Polícia Nacional recebeu a denúncia do marido de Escarlete no dia 26. Com a pressão da polícia, Escarlete foi libertada no dia 27, sem pagar o suposto resgate, após permanecer quatro dias em cativeiro.
Na noite da última sexta-feira, ela foi presa no Hotel City, localizado na região central de Ciudad del Este, onde estava hospedada. Ontem, na Cadeia Correcional de Mulheres Juana de Lara, a brasileira disse em entrevista à TV Tarobá (Rede Bandeirantes), que a sua condição, de vítima a acusada, mudou depois que reconheceu seus sequestradores.
Ela também alegou que teve os cheques roubados na loja da paraguaia. Escarlete disse ainda estar tranquila, e que espera obter o relaxamento da prisão para responder ao processo em liberdade. No mês passado, o paranaense Ademir dos Santos permaneceu preso por 20 dias em Ciudad del Este, também acusado de estelionato por outro comerciante de cigarros paraguaio.
O diretor da Associação Brasileira de Sacoleiros, Walter de Barros Negrão, disse que, agindo dessa maneira, os paraguaios vão piorar a crise do comércio local. ‘‘Eles vão afastar cada vez mais os compristas e os turistas’’, afirmou.

mockup