Quando está na floresta colombiana, o padre guerrilheiro Olivério Medina, 47 anos, não hesita em carregar sempre à mão um fuzil de campanha junto com o crucifixo. Ele milita há 15 anos nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (Farc-EP), o grupo guerrilheiro mais antigo da América Latina, fundado em 1964. Há seis meses, Medina deixou o fuzil na selva e passou a percorrer o Brasil para denunciar o aumento da intervenção dos militares dos Estados Unidos na Colômbia para tentar enfraquecer a guerrilha.
Medina esteve ontem em Curitiba, no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Paraná, para revelar que o exército norte-americano mantém 400 soldados na fronteira da Colômbia com o Equador para entrar em confronto com a Farc a qualquer momento. Medina pediu que forças militares estrangeiras não interfiram no conflito. O apelo se estendeu aos militares do Brasil, que teriam participado de uma reunião secreta patrocinada pelos EUA, junto com outros países vizinhos. O objetivo seria formar um exército multinacional capaz de intervir na Colômbia, que tem 40% do território controlado pela Farc.
Sem data prevista, a Farc deve instalar sua sede em Brasília. A ‘‘embaixada’’, como Medina a chama, servirá para divulgar os ideais marxista-leninistas do grupo que, segundo ele, vão construir um país sem fome e nem desemprego. ‘‘Temos de derrotar esta ditadura que desde 1948 já massacrou 400 mil colombianos’’, disse Medina. A luta armada contra as elites conservadoras é a única alternativa para eliminar as desigualdades, afirma. ‘‘A guerra revolucionária na Colômbia é um ato humanitário. Não somos amantes da guerra, mas este povo vem sendo violentado há mais de 50 anos’’, afirma.Marcelo AlmeidaO padre guerrilheiro Olivério Medina deixou o fuzil de campanha e, apenas com o crucifixo, percorre o Brasil para denunciar o aumento da intervenção militar dos Estados Unidos na Colômbia para enfraquecer a guerrilhaDimitri do Valle

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