Londrina

Paulo WolfgangZunzunzumAlunos do Vicente Rijo desembarcam no Terminal: guerra de gangues domina conversas na saída da escolaA saída dos alunos do Colégio Estadual Vicente Rijo foi marcada por uma certa tensão misturada com uma boa dose de excitação no final da tarde de ontem. O motivo é a guerra declarada entre gangues de alunos do Vicentão contra alunos do Colégio Estadual Marcelino Champagnat. Embora a rixa seja antiga, a briga atual teria começado há cerca de 15 dias, por causa de um boné roubado. A partir daí, as ameaças de lado a lado não pararam mais, preocupando as direções das duas escolas.
Na semana passada, um grupo de aproximadamente 40 estudantes do Champagnat foi até o Vincentão para ameaçar o grupo rival, mas não conseguiu entrar no pátio da escola: alertado pela direção, a Polícia Militar deslocou uma viatura até o local, para evitar o confronto. Mas na sexta-feira não houve jeito: ao invés de esperar os alunos do Vicentão na saída da escola, o grupo do Champagnat surpreendeu os rivais dentro do Terminal Urbano.
Um dos alunos do Vicentão - L.S, de 14 anos - que participou da briga no Terminal conta que quando desceu do ônibus ‘‘uns dezessete caras’’ o cercaram, xingaram de ‘‘c...’’ e depois começaram a bater. ‘‘Me deram um soco na boca. Eu abaixei e levei mais no olho e no estômago.’’ Outro aluno do colégio, R.C.B., também de 14 anos, diz que presenciou a briga e teve que se esconder para não apanhar.
‘‘Quando a gente (os colegas) estava apanhando, os PMs que estavam no Terminal não fizeram nada, deixaram a briga correr’’, acusa R.C.B. Ele diz que, depois do episódio, reuniu alguns amigos para revidar as agressões, ainda no Terminal. Mas desta vez, ele afirma, os policiais intervieram e impediram novas brigas. Ontem, no entanto, não havia esquema especial para evitar o confronto entre os garotos: apenas o policiamento normal.
‘‘Sei não, mas acho que essa briga vai continuar’’, aposta R.C.B. Ele, L.S. e outros colegas afirmam que, ontem mesmo, no Terminal, viram quatro alunos do Champagnat que estariam esperando uma oportunidade para arrumar briga - o que acabou não acontecendo, pelo menos até às 18 horas. ‘‘Estão querendo roubar bon钒, eles acreditam.
A polêmica entre os alunos dos dois colégios marcou a conversa nas rodas de amigos na saída do Vicente Rijo, ontem, enquanto o ônibus urbano não chegava. ‘‘Eles ficam mandando recados’’, apontou um dos garotos. ‘‘Disseram que vão vir aqui e bater em todo mundo, até nas meninas. E hoje vai ter briga.’’
‘‘Semana passada teve gente que saiu mais cedo para não apanhar’’, lembrou uma aluna. Ela observa que no Vicentão todo mundo foi revistado, para evitar que os garotos andassem com correntes, cabos de aço ou ‘‘chacos’’ - objeto formado por dois pedaços de pau ligados a uma corrente e utilizado em lutas marciais. ‘‘Mas no Champagnat os alunos andam até com canivete.’’
Um outro aluno explicou que alguns colegas optaram por trocar o uniforme, antes de sair para a rua, para evitar ser identificado. Para ele, a polêmica nada mais é do que uma correlação de forças: o pessoal do Champagnat estaria arrumando briga para provar aos alunos do Vicentão e do Maxi que são os melhores. ‘‘Eles querem mostrar que ninguém bate neles.’’
Ontem a reportagem da Folha não conseguiu falar com o comando da PM em Londrina para comentar o caso.

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