Marcos BorgesPrósO lado dos motociclistas: dificuldade para entrar nas galeriasA disputa pelo mercado de passageiros entre taxistas e moto-taxistas acabou em confusão na Câmara de Vereadores ontem à tarde. Os motociclistas tiveram dificuldades para entrar na Câmara para acompanhar a votação do projeto autorizando o serviço na Cidade. O projeto, que estava em primeira discussão, foi retirado de pauta definitivamente a pedido do vereador Carlos Kita (PTB). Os únicos vereadores contrários à retirada foram os autores do projeto - Célio Guergoletto (PMDB) e Sidney Souza (PST).
Os motociclistas foram barrados na porta dos fundos da Câmara pelo grupo de cerca de 80 taxistas que estava na sessão. Apesar de a Câmara ser aberta à comunidade, foi necessária a interferência de vereadores para que os motociclistas entrassem. Para evitar novos atritos, taxistas ocuparam um lado das galerias e os moto-taxistas ficaram do outro, separados pelo plenário, conforme proposta dos vereadores que intermediaram a discussão.
Os taxistas alegaram que estavam sendo provocados pelos motociclistas porque estes trajavam os coletes identificadores de suas empresas. Os coletes de cada uma das quatro empresas de moto-táxi da Cidade se distinguem pela cor - amarelo, azul, preto e verde. ‘‘Vieram fazendo provocações. Só pedimos para que tirassem os jalecos porque isso é propaganda’’, disse o presidente do Sindicato dos Taxistas, João Lopes de Oliveira.
‘‘Primeiro não queriam que a gente entrasse de forma alguma, dizendo que não éramos convidados. Depois pediram para que tirássemos os coletes’’, disse o dono da Central Moto-Táxi, Luis Antonio Campinha. ‘‘Que autoridade eles têm para impedir a gente de entrar em um lugar público?’’ Campinha afirmou que já esperava reação desse tipo dos taxistas.
Marcos BorgesContrasO lado dos taxistas: críticas à ‘propaganda’ dos motociclistas
Os donos das empresas de moto-táxi afirmaram que os motociclistas vêm enfrentando dificuldades para trabalhar devido às ameaças e ‘‘fechadas’’ no trânsito pelos taxistas. O presidente do Sindicato dos Taxistas nega as acusações. ‘‘É tudo mentira, balela.’’ Na saída da Câmara, os dois grupos voltaram a se encontrar e se estranhar. Houve provocações e xingamentos.
A Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) emitiu parecer contrário à instalação do serviço de moto-táxi na Cidade. O parecer foi encaminhado anteontem aos vereadores.
A diretora de Operações da Comurb, Lúcia Brandão, diz que emitiu o parecer baseado em dados técnicos e jurídicos. Ela explica que a Comurb levou em consideração o número de mortes devido a acidentes de motocicletas em Londrina, média mensal que varia entre 4 e 5. Este número cai quando se trata de automóvel. A diretora lembra que a média em Londrina é de uma morte por mês em acidentes que envolvem automóveis.
O parecer da Comurb deixa clara a preocupação com a segurança: ‘‘A criação deste tipo de serviço para o Município representa um perigo iminente para seus munícipes, como demonstram os índices altíssimos de acidentes com vítimas fatais por colisão de moto em Londrina’’. Lúcia Brandão destaca ainda que este alto número é resultado da ‘‘facilidade em atingir altas velocidades de percurso que essa tecnologia de transporte oferece, associada à dificuldade na fiscalização do policiamento de trânsito sobre os condutores de moto, que realizam manobras e irregularidades de toda a sorte, para se eximir de punições’’.
O problema com a segurança no serviço de moto-táxi foi comprovado, lembra Lúcia Brandão, através de uma pesquisa nas cidades que contam com o serviço. Em Araçatuba (SP), uma pessoa morreu em um acidente envolvendo moto-táxi, ressalta a diretora.
A diretora de operações da Comurb cita ainda o artigo 43 do Código Nacional de Trânsito, determinando que os veículos de aluguel para transporte coletivo dependerão, para transitar, de autorização, concessão ou permissão da autoridade competente. No primeiro parágrafo deste artigo, o Código ainda diz que os veículos de aluguel deverão satisfazer as condições técnicas e os requisitos de higiene, segurança e conforto do público.
Lúcia Brandão comenta também o parecer emitido pelo Conselho Nacional de Trânsito para uma consulta feita pela Prefeitura de Belo Horizonte. No relatório, o Contran destaca: ‘‘Deste modo, entendemos que a par de inexistir normas disciplinando o assunto, não deve o Contran permitir que este tipo de transporte seja colocado em prática. A permissão importaria em aumentar os perigos de trânsito com o consequente aumento do número de acidentes e perdas de vida. Com isso, o Contran, considerando seus deveres basilares, não pode concordar. A rentabilidade do sistema não deve ser levada em conta ante os reais perigos que oferece’’.

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