Guerra do crack mata cinco na periferia
Emerson Cervi
De Curitiba
Policiais da Delegacia de Homicídios, do serviço reservado da polícia militar (P2) e da Delegacia Antitóxicos de Curitiba continuavam investigando ontem os cinco assassinatos ocorridos terça-feira na Vila Autódromo, na zona Leste da cidade. O objetivo é prender o mais rápido possível os principais suspeitos dos crimes para evitar novas mortes. Tudo indica que está em andamento uma disputa pelo controle da distribuição de crack na região da Vila Autódromo e da Vila Trindade por dois grupos de traficantes.
Às 4h13 de terça-feira três pessoas morreram em um barraco que servia como ponto de distribuição de drogas. Claudinei Volbeto Granvelle, 19 anos e J.F.A., 15 anos, baleados na cabeça à queima roupa, morreram no local. V.R.C., 16 anos, foi levado ao hospital Cajuru mas morreu no início da tarde de ontem. Todos pertenciam ao grupo da Vila Autódromo, segundo policiais da P2 (serviço reservado da polícia militar).
Em outro barraco, que fica na Rua Progresso, da Vila Autódromo, às 20h50 de ontem menos de 17 horas depois da primeira ocorrência foram assassinados Anderson Ribeiro dos Santos, 14 anos, conhecido como palito, e Eliseu Spognollo Filho, 17 anos. Carlos Alencar de Moraes, 20 anos, que também estava no local, ficou ferido e está internado no hospital Cajuru. Eles faziam parte do grupo da vila Trindade.
Policiais da Delegacia de Homicídios ouviram o depoimento de Carlos Moraes ontem à tarde. Até agora, tudo indica que a primeira ocorrência se tratava de uma briga por pontos de venda de crack na região e pela divisão do produto de um assalto que eles tinham cometido. Os homicídios da noite foram uma vingança aos primeiros, disse ontem à tarde a delegada chefe da Delegacia de Homicídios, Margareth Alferes de Oliveira Mattos. Segundo ela, uma das vítimas da segunda ocorrência teria participado dos primeiros assassinatos de terça-feira. Não podemos divulgar o nome do envolvido para não prejudicar o andamento das investigações.
O assassinato dos integrantes do grupo da vila Autódromo foi praticado por duas pessoas. Como apenas uma delas está entre as vítimas do segundo homicídio, a polícia está procurando o outro suspeito, que até o final da tarde de ontem continuava foragido. Temos todas as informações sobre o autor da primeria ocorrência, estamos procurando o suspeito, mas nossa maior dificuldade é a lei do silêncio que impera na região, disse. Como já terminou o período de flagrante, a polícia precisa formalizar a denúncia para pedir prisão preventiva do suspeito.
A população da região das vilas Trindade e Autódromo está amedrontada com a violência. Ninguém fornece informações sobre traficantes. Eles acreditam que mais pessoas devem morrer. Não gostam nem de informar qual foi o local onde aconteceram os crimes. Esse pessoal entrava e saía do barraco, não sei se havia drogas lá, contou um dos moradores da Rua Progresso, que prefere não ser identificado. Trabalho o dia inteiro e não tinha como conhecer o pessoal. Segundo moradores, não houve testemunhas do crime da noite de terça-feira, embora Carlos Alencar de Moraes tenha sido socorrido pelos próprios vizinhos.Provável disputa entre gangues de traficantes da vilas Autódromo e Trindade faz cinco mortes em menos de 24 horas
Kraw PenasMocóBarraco na Rua Progresso, na Vila Autódromo, onde foram assassinados duas pessoas na terça-feira à noite como vingança aos primeiros três assassinatos ocorridos na madrugada do mesmo diaArquivo FolhaDelegada Margareth Alferes de Oliveira Mattos investiga as mortes





