Guerra de traficantes aterroriza Londrina
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terça-feira, 08 de maio de 2001
Luciano Augusto De Londrina 
Os bairros mais periféricos da zona leste de Londrina vivem numa rotina sufocada pelo medo e pela violência. Principalmente nos últimos dois meses, os moradores estão sendo obrigados a viver sob a ameaça constante de duas quadrilhas rivais de traficantes que se confrontam pelo controle do tráfico de maconha, pasta base de cocaína e crack na região. A cocaína pura, por ser uma droga mais cara, ainda não tem penetração.
Uma das quadrilhas seria comandada pelo traficante conhecido por Zumbão, que está preso por porte ilegal de arma de fogo. As investigações sobre a segunda quadrilha estão sendo mantidas em sigilo pela Polícia Militar. Os bairros de Jardim Monte Cristo, Jardim Marabá, Interlagos e Jardim Santa Fé são os mais problemáticos, segundo a PM.
O comandante do Grupo Águia para a região norte do Estado, que atua no combate ao crime organizado, tenente Nelson Villa Júnior, disse à Folha que a polícia tem feito arrastões nestes bairros numa tentativa de prender integrantes de ambas as quadrilhas. Mas ninguém fala nada porque tem medo das ameaças dos traficantes, completou.
Segundo Villa Júnior, a comunidade da favela do Jardim Monte Cristo é a que mais tem sofrido com a ação dos traficantes. A polícia tem conhecimento de que muitos moradores suspeitos de colaborarem com o trabalho policial são obrigados a deixar suas casas e se mudarem do bairro, por ordem dos chefes do tráfico, que já estariam usando, inclusive, armas automáticas extremamente modernas.
O tenente garantiu que o Grupo Águia e o serviço reservado da Polícia Militar (P2) têm feito diligências constantes na zona leste no sentido de prender os envolvidos no tráfico de drogas. De acordo com o tenente, o braço direito de Zumbão, o traficante conhecido como Marcinho já foi preso, por porte ilegal de arma de fogo, quando circulava com uma espingarda calibre 12. Outro quadrilheiro que está detido desde a semana passada é o traficante conhecido como Buldogue, preso com cocaína, maconha e um revólver.
O comandante do Grupo Águia adiantou que os trabalhos de prevenção e repressão à criminalidade terão continuidade. Estamos tentando conter o avanço do tráfico e, se possível, minimizar o problema prendendo os integrantes das quadrilhas, precisou. O problema, segundo ele, é que sempre que um traficante é preso, a quadrilha imediatamente destaca um novo membro para substituí-lo na venda da droga.


