Os advogados Cláudio Dalledone Júnior e Edson Stadler, que defendem o policial civil Airton Adonsk Junior, um dos nove acusados pelo assassinato do estudante Rafael Zanella, disseram ontem que há uma ‘‘caça às bruxas’’ que pode prejudicar o julgamento de seu cliente. Adonsk será o primeiro a ser julgado, na próxima quinta-feira, a partir das 9 horas, no Tribunal do Júri de Curitiba. Segundo os advogados, os pedidos ‘‘injustos’’ de punição para todos os acusados do crime fazem surgir um movimento moralizador prejudicial a uma decisão isenta do júri.
O policial Reinaldo Siduovsk também seria julgado na quinta-feira, mas o júri foi desmembrado na semana passada a pedido dos advogados de defesa dos dois acusados. A ‘‘caça as bruxas’’ seria promovida pela família do estudante, afirmaram os advogados. Dalledone e Stadler disseram que Adonsk é inocente e que apenas obedecia uma ordem para estar no local de trabalho quando houve o homicídio.
A mãe da vítima, Elisabetha Zanella, o advogado da família, Júlio Militão da Silva, e o promotor Celso Ribas discordam drásticamente. Para eles, Adonsk é um dos maiores responsáveis pelo homicídio, ocorrido em 28 de maio de 1997. ‘‘Um dos piores policiais envolvidos no caso é exatamente ele’’, diz o promotor. ‘‘Basta lembrar que, no início deste ano, o então delegado titular da Delegacia Anti-Tóxicos (Adauto de Oliveira) disse que havia 33 policiais envolvidos com o tráfico de drogas e que Adonsk era um deles’’, afirma Ribas. Para o promotor, Adonsk e os policiais tinham armado uma falsa blitz para extorquir dinheiro de Rafael e dos dois colegas que estavam no carro. O estudante, que tinha 20 anos, levou um tiro na cabeça logo depois de parar o carro. O disparo foi feito pelo então funcionário público Almiro Deni Schmidt, que apesar de não ser policial participava da blitz. Após o crime, os policiais colocaram droga e uma arma no carro de Zanella para alegar que o disparo que matou o estudante havia sido feito em legítima defesa.
Além de Schmidt, Siduovsk e Adonsk, são acusados de participar da farsa os delegados Francisco dos Santos e Maurício Bittencourt Fowler, o escrivão Carlos Henrique Dias, o superintendente Daniel Santiago Cortez, o policial Jorge Bressan e o estudante de Direito Guilherme Doni.
Os advogados de Adonsk alegaram que cada um dos nove acusados tem um grau de culpa diferente. Segundo eles, Adonsk seria inocente porque estava a mais de 100 metros do local do crime quando houve o disparo. O advogado de defesa, Celso Ribas e Elisabetha discordam novamente. ‘‘Não é o local onde a pessoa se encontra que determina a culpa, mas a consciência do ato’’, diz Ribas.
‘‘Tudo foi armado por esse Adonsk’’, acusa Elisabetha. ‘‘Esse cara não é nenhum santo’’, diz ela, que considera equivocada a postura dos advogados de defesa. Elisabetha disse que uma fita de vídeo, feita na noite do crime, mostra Adonsk manuseando o corpo de Rafael. ‘‘Depois ele veio dizer para nós, no pior momento de nossas vidas, quando descobrimos que o Rafael estava realmente morto, que o Rafael era traficante e que tinha disparado contra eles’’, lembra. ‘‘O que ele quer de nós: piedade?’’

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