Londrina – Proibição do fumo em ambientes fechados, exposição de imagens impactantes nos maços de cigarros, lei do preço mínimo, investimentos no tratamento. A eficácia do bombardeio de ações de políticas públicas agressivas contra o tabagismo passa a ser comprovada em dados. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, o índice de pessoas que fumam e usam produtos derivados do tabaco teve queda de 20,5% em cinco anos. Em 2013, do total de adultos entrevistados, 14,7% afirmavam fumar. Em 2008, o índice era 18,5%.
No mês passado, o trabalho foi reconhecido internacionalmente pela Bloomberg Philanthropies, parceira da Organização Mundial de Saúde (OMS), que entregou o "Prêmio Bloomberg para o Controle Global do Tabaco" ao ministro da Saúde, Arthur Chioro. A cerimônia de entrega ocorreu durante a 16ª Conferência Mundial sobre Tabaco ou Saúde em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. A entidade internacional destacou a atuação do País no controle do tabagismo. "O trabalho que o Ministério da Saúde fez é modelo para outros países que também atuam nessa área", ressalta o documento da Fundação Bloomberg.
De acordo com o governo federal, atualmente, mais de 23 mil equipes de saúde da família atuam em 4.375 municípios no tratamento do tabagismo. Nos últimos dois anos, o ministério destinou R$ 41 milhões para ações de combate ao uso de tabaco. O trabalho se concentra em quatro frentes: a taxação do preço do cigarro, com aumento progressivo do valor; proibição de propaganda; eliminação de todos os pontos de fumo, inclusive fumódromos a partir do ano passado; e programa de atendimento com distribuição de medicamentos às pessoas que querem parar de fumar na rede do SUS.

PARANÁ
No Estado, o governo disponibiliza ambulatórios especializados no tratamento do tabagismo em 250 Unidades Básicas de Saúde (UBS) nos principais municípios das 22 Regionais de Saúde. De acordo com o pneumologista Jonatas Reichert, da Comissão Estadual de Controle do Tabagismo do Paraná, ligada à Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), o programa segue protocolos preestabelecidos para instrutores e participantes e tem como eixo principal a mudança comportamental por meio da TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) e com indicação médica do uso de medicamentos específicos.
Em 2013, 11.372 usuários foram beneficiados pelas políticas de atenção à pessoa tabagista do Estado, com efetividade de 46,63%, dos quais 66,47% usaram algum medicamento específico por indicação médica. Segundo Reichert, o percentual de pessoas que deixaram de fumar (46.63% após um ano) está de acordo com a média de efetividade dos programas divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). "Ao lado de São Paulo e Rio Grande do Sul, o Paraná é um dos pioneiros da adoção de planos contra o tabagismo e, inclusive, auxiliou nos pilares da elaboração do Plano Nacional", frisa.
Em Londrina, as ações do Programa de Controle do Tabagismo quase triplicaram o número de pessoas que conseguiram parar de fumar em três anos. Foram 504 pacientes com sucesso no tratamento em 2013 contra 169 em 2010. A taxa média de pessoas que deixaram de fumar após concluírem o tratamento é de 43,1%. A desistência após a quarta e última sessão ainda é alta, média de 56,9%. "O tratamento é muito penoso, pois o vício em nicotina, ao contrário do que se imagina, é um dos mais agressivos. O índice de sucesso de mais de 40% já é considerado um bom resultado", explica Reichert.
Das 53 unidades básicas de saúde de Londrina, 34 estão equipadas com uma equipe multidisciplinar capacitada para oferecer o tratamento que consiste em atendimento individual ou de grupo. "Priorizamos as sessões, com troca de experiências, a mudança de comportamento em vez do medicamento", conta Juliana Marques, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo em Londrina. Ela explica que os pacientes participam de quatro sessões, uma por semana. Após este período, eles retornam uma vez por mês ao ambulatório para os encontros de manutenção até completar um ano. "Esses retornos são fundamentais para que eles não tenham recaídas."

GASTOS
Outro ponto questionado pelo pneumologista é o gasto anual do Brasil em tratamento de 56 doenças decorrentes do tabagismo. Em 2013, o País gastou R$ 21 bilhões no tratamento de pacientes com doenças relacionadas ao cigarro, segundo estudo da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT). O valor equivale a 30% do orçamento do Ministério da Saúde em 2011 e é 3,5 vezes maior do que a Receita Federal arrecadou com produtos derivados ao tabaco no mesmo período. "É inconcebível gastar 3,5 vezes mais do que arrecada para tratar as vítimas do tabaco. Por isso a importância destas medidas drásticas", defende.
Reichert informa também que o número de mortes causadas pelo tabaco no País, que nos anos 1990 era de 200 mil mortes, atualmente é de 130 mil. "Temos um lado positivo, porém se analisarmos friamente os dados, a sobrevida maior representa mais pessoas doentes em tratamento, o que significa maior ônus para o País", analisa.

Imagem ilustrativa da imagem Guerra contra o tabaco
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