Guerra brasileira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de lançar a guerra brasileira. Diante do assassinato de mais um juiz, agora no Espírito Santo, o presidente declarou guerra ao crime organizado. Este é, sem dúvida, o maior desafio do Brasil. Quando se acompanha a espiral de crimes, a impunidade, a plena liberdade de ação dos marginais, seja matando autoridades, seja promovendo uma guerra de exermínio ou agindo por toda parte sem qualquer temor, percebe-se que é a própria civilização que está em perigo.
O crime está por toda parte. Londrina registra, a cada mês, novos recordes em homicídios, a onda de assaltos e furtos segue sem paradeiro, a qualquer dia e em toda parte.
No sábado, um cidadão que caminhava com o filho foi assaltado, no Zerão, em plena tarde. Depois de tudo, sem dinheiro, a vítima ainda agradecia a Deus porque o marginal não feriu seu filho, que foi ameaçado com um revólver na cabeça. Esta é a nova realidade: a gente agradece o bandido que só rouba.
A declaração de guerra do presidente do Brasil precisa, porém, ir além das frases de efeito.
Mais violência
As denúncias não páram. Uma leitora (que pediu, pelo amor de Deus, para não ser identificada) contou que viu, domingo, da janela de seu apartamento, no centro, quando uma pessoa arrancava telhas de um armazém mais abaixo. Arrancava, jogava para um parceiro no chão. Depois, ambos sairam correndo com as telhas.
''Por que não chamou a polícia?'', perguntei. ''Fiquei com medo. Vai que o ladrão me vê lá em cima e volta para se vingar da denúncia. O que fiz foi fechar a janela e ficar bem quieta, esperando que nem ele, nem seu cúmplice, tenham me visto''.
A polícia diz que o cidadão, submetido à ameaça do marginal, não deve reagir. Algumas pessoas estão desobedecendo esta norma, o que é arriscado. A verdade porém é que o clima de medo está se ampliando, juntamente com a falta de confiança na ação da autoridade policial.
Quando se sabe (como a Folha divulgou) que viaturas da polícia estão paradas nas oficinas, o temor aumenta. Os marginais, seguramente, não enfrentam este tipo de problema. Tem carros (ou os furtam), tem armas modernas e agem, aparentemente, sem temer qualquer tipo de reação oficial. No momento, a única ameaça a eles é a dos cidadãos que ainda reagem aos assaltos.





