Guardião no muro,
cão ‘duela’ com
homem imaginário
Dorico da Silva– Tá olhando o quê? Vai encarar? Vem que eu te mordo!
– Ora, ora. Alcalme-se ! Só estava passando e...
– E nada. Aqui não pode passar não! Não tá vendo a faixa?
– Faixa? Que faixa?
– Você tá querendo arrumar confusão, não é?
– Já disse que estava de passagem e não tive a intenção de te provocar...
– Não tem desculpa. Aqui quem manda sou eu, tá ? E abaixa esse troço aí!
– É só uma máquina fotográfica.
– Não quero saber. Já te disse...e não chegue mais perto.
– Nossa! Por quê tanto nervoso?
– Fui contratado para isso. Espantar toda e qualquer ameaça a segurança desta casa.
– Mas tem muro e tá tudo fechado.
– Não interessa. Eu sou o guardião aqui. Se manda.
– Além de guardião você também é um bom equilibrista, não?
– Eu sei muito bem andar no meu território. E te cuida, pois mesmo não sendo ponta de lança de portão, posso perfurá-lo profundamente.
– É verdade que cão que rosna não morde?
– Nem toda afirmação é verdadeira. Também não é verdade que cachorro não fala?
– Acho melhor não duvidar.
– É bom mesmo, pois já estou esgotando minha paciência. Xispa daqui! Já prá lá! Fora!
– Tá bem, tá bem.
– E veja se não aparece mais por aqui.
– Vai entender esses cachorros...
– Pode ter certeza que é bem mais fácil do que entender vocês, homens.
(Mauricio Della Barba)

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