Guardas são acusados de espancamento
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Antônio França Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaAdilson Temes da Rosa, uma das vítimas, diz que recebeu uma coronhada no narizA Promotoria Pública de Defesa do Cidadão recebeu ontem a denúncia de três rapazes que teriam sido espancados por sete guardas municipais de Foz do Iguaçu. Segundo a denúncia, eles foram agredidos quando tentavam uma consulta no Pronto Atendimento Médico (PAM). O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta hematomas provocados por coronhada de revólver e cassetetes. Os guardas municipais só utilizaram essas armas para se defender, disse ontem o comandante da corporação, coronel César Zelinski.
A denúncia foi formulada pelo Centro de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu ao promotor Antônio Carlos Paula da Silva. Os irmãos Ademar, de 22 anos, e Adilson Temes da Rosa, 19, e o amigo deles Celso Assun de Souza, 19, teriam sido espancados em uma sala do PAM na madrugada do último dia 26.
O episódio, segundo a denúncia, ocorreu quando Ademar e Celso tentavam atendimento médico para Adilson, que estava em coma alcoólico. Levem ele para casa e dêem um banho, que isso é bebedeira. Aqui não é lugar para bêbado, teria dito um dos guardas, segundo Ademar.
Com a insistência em entrar no ambulatório, os três foram algemados e levados para a 6ª Subdivisão Policial. No local, a Polícia Civil se negou a fazer ocorrência e orientou que voltassem ao PAM, já que Adilson necessitava de cuidados urgentes. Ao voltar ao Pronto Atendimento, os guardas municipais chamaram reforço.
Ademar afirma que os três foram algemados e fechados numa sala do hospital. Na sala, ainda segundo a denúncia, eles levaram socos e pontapés, além de receber vários golpes de cassetetes.
Na pancadaria, Adilson teria levado uma coronhada de revólver na testa. Somente depois de ferido, ele foi atendido, afirmou Celso. A pedido dos próprios guardas, a Polícia Militar fez teste com bafômetro nos três rapazes. Porém, somente o teste em Adilson apresentou teor de álcool.
Os rapazes fizeram exame de corpo de delito e pediram abertura de inquérito policial. O promotor disse que vai esperar o resultado do inquérito para se pronunciar, mas adiantou que vai pedir abertura de ação contra os guardas municipais, caso fique comprovado abuso de autoridade e violência. Com o laudo do IML e o inquérito, nós vamos remeter para o Juizado de Pequenas Causas ou para a Vara Criminal, garantiu Silva.


