Ney de SouzaAdilson Temes da Rosa, uma das vítimas, diz que recebeu uma coronhada no narizA Promotoria Pública de Defesa do Cidadão recebeu ontem a denúncia de três rapazes que teriam sido espancados por sete guardas municipais de Foz do Iguaçu. Segundo a denúncia, eles foram agredidos quando tentavam uma consulta no Pronto Atendimento Médico (PAM). O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta hematomas provocados por coronhada de revólver e cassetetes. ‘‘Os guardas municipais só utilizaram essas armas para se defender’’, disse ontem o comandante da corporação, coronel César Zelinski.
A denúncia foi formulada pelo Centro de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu ao promotor Antônio Carlos Paula da Silva. Os irmãos Ademar, de 22 anos, e Adilson Temes da Rosa, 19, e o amigo deles Celso Assun de Souza, 19, teriam sido espancados em uma sala do PAM na madrugada do último dia 26.
O episódio, segundo a denúncia, ocorreu quando Ademar e Celso tentavam atendimento médico para Adilson, que estava em coma alcoólico. ‘‘Levem ele para casa e dêem um banho, que isso é bebedeira. Aqui não é lugar para bêbado’’, teria dito um dos guardas, segundo Ademar.
Com a insistência em entrar no ambulatório, os três foram algemados e levados para a 6ª Subdivisão Policial. No local, a Polícia Civil se negou a fazer ocorrência e orientou que voltassem ao PAM, já que Adilson necessitava de cuidados urgentes. Ao voltar ao Pronto Atendimento, os guardas municipais chamaram reforço.
Ademar afirma que os três foram algemados e fechados numa sala do hospital. Na sala, ainda segundo a denúncia, eles levaram socos e pontapés, além de receber vários golpes de cassetetes.
Na pancadaria, Adilson teria levado uma coronhada de revólver na testa. ‘‘Somente depois de ferido, ele foi atendido’’, afirmou Celso. A pedido dos próprios guardas, a Polícia Militar fez teste com bafômetro nos três rapazes. Porém, somente o teste em Adilson apresentou teor de álcool.
Os rapazes fizeram exame de corpo de delito e pediram abertura de inquérito policial. O promotor disse que vai esperar o resultado do inquérito para se pronunciar, mas adiantou que vai pedir abertura de ação contra os guardas municipais, caso fique comprovado abuso de autoridade e violência. ‘‘Com o laudo do IML e o inquérito, nós vamos remeter para o Juizado de Pequenas Causas ou para a Vara Criminal’’, garantiu Silva.

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