Dimitri do Valle
De Curitiba
A Associação dos Guardas Municipais de Curitiba quer que os servidores voltem a portar armas durante o dia. No sábado passado, um guarda municipal foi ferido durante um assalto ao Armazém da Família, no bairro Fazendinha. Ele estava sem o revólver calibre 38 que só pode ser carregado durante o trabalho de fiscalização noturna. O guarda não morreu porque estava com um colete à prova de balas.
O presidente da Associação dos Guardas Municipais, Marcelo Peruchi, explica que o armamento representa uma ferramenta de trabalho indispensável para os profissionais. ‘‘Como é que o guarda vai fazer a segurança do patrimônio público se ele não pode zelar pela própria segurança?’’, indaga Peruchi. O representante dos guardas disse que o fato registrado no sábado no Fazendinha não está ligado a apresentação da reivindicação. Ele frisa que não quer criar polêmica com a proposta. ‘‘A gente está tentando mudar isso sem brigar. As conversas têm sido muito boas’’, conta.
‘‘Já estamos conversando com a direção da guarda há um bom tempo’’, diz Peruchi. A proibição do porte de arma no expediente diurno vigora desde o início do ano passado. O presidente da associação lembra que o decreto que criou a Guarda Municipal, em 1988, prevê o porte de arma 24 horas por dia. A Lei Orgânica de Curitiba, segundo Peruchi, também não prevê restrições ao uso do armamento.
Sem uma arma na cintura, o representante dos guardas ressalta que os servidores ficam mais vulneráveis aos bandidos. ‘‘Pela situação em que o País passa, o meliante só respeita quem está armado’’, assinala. Mesmo armados, os guardas só empregariam o revólver em situações extremas, acrescenta Marcelo Peruchi. ‘‘O treinamento que a gente recebe é para que o uso da arma só seja empregado em último caso’’, declara. A Folha tentou ouvir o secretário municipal da Administração, José Alberto Reimann, sobre o assunto, mas ele não foi localizado.

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