Quem já não guardou alguma coisa quando criança? Papéis de carta, gibis, bolinhas de gude, figurinhas de chicletes... Com o passar dos anos, alguns acabam se desfazendo desses objetos, enquanto outros fazem questão de deixar ali, guardadinho, num canto do armário. Da ''mania'' para uma verdadeira coleção é um pulo, mas exige dedicação.
O trabalho de reunir objetos pode durar até uma vida inteira. Colecionar torna-se um hábito, uma particularidade da pessoa. A prática pode ser gratificante e tornar-se uma troca de experiências, pois normalmente cria-se uma relação entre colecionadores e até mesmo com pessoas que não têm o hábito, mas que gostam de ver e admirar.
Nilce Bizetto de Sotti, 58 anos, transformou seu lar-doce-lar na verdadeira casa do Papai Noel. Na residência, o Natal reina 365 dias por ano. Tudo começou quando a apucaranense ganhou de presente o primeiro exemplar do ''bom velhinho'', há 11 anos. De lá para cá, a coleção já soma 465 Papais Noéis, que lotam as prateleiras nos corredores da residência.
''Fui comprando, comprando e gostando. A cada dia ficava mais entusiasmada. As pessoas sabem que eu gosto, e dizem que onde vêem Papai Noel lembram de mim. Muitas me presenteiam. Tenho modelos de quase todos os Estados do Brasil.'' E do mundo todo também! As cristaleiras na casa de Nilce, que antes abrigavam taças, hoje estão entupidas com modelos da Inglaterra, EUA, Irlanda etc.
''Eu enfeitava do jardim à churrasqueira. Minha casa ficava aberta à visitação. Perdi o hábito depois que meus filhos se casaram, mas minha casa ainda é conhecida como a casa do Papai Noel.'' Ela até já pensou em parar com a mania, mas a filha pediu que continuasse pois assumiria um dia a coleção.
Verdadeira fortuna
Quando ganhou um cartão telefônico com a foto de Ayrton Senna, o funcionário público Leandro Fenimani, 33, gostou tanto do pedaço de plástico que resolveu guardar todos que encontrava, adquiria ou ganhava. A diversidade de estampa e a facilidade de encontrar novos modelos colaborou para a manutenção da mania. Em oito anos já são mais de 1,5 mil cartões guardados, com o devido cuidado, em pastas especiais.
Separados por regiões - do Brasil ele tem de todos os Estados - e por países - há exemplares do Chile, Espanha, Portugal, Itália, Japão e Holanda -, Fenimani conta que ganhou a maioria dos cartões de amigos e pessoas que sabem do ''costume'' que ele tem de colecionar.
''Ganhei praticamente todos. A maioria dos colecionadores compra, mas tenho a sorte de ganhar de amigos e conhecidos.'' O que leva alguém a colecionar cartão de telefone? ''É divertido. Um entretenimento, assim como a leitura, como assistir a um bom filme, é um tempo da gente dedicado para uma atividade. Muitos consideram estranho, mas quando olham a coleção, acham bonito devido aos temas, que variam de animais, carros, desenho animado, plantas, personagens históricos, séries de TV.''
Das peças favoritas, Leandro cita uma série fechada com o tema ''Prevenção à AIDS''. Foram feitos dez modelos. E o moço, como bom colecionador, conseguiu todos. Um cartão telefônico varia de R$ 0,20 a R$ 5. Mas acreditem, notícias de telecartofilia comprovam que há unidades custando até R$ 500 mil.

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