Guardar carros está virando um bom negócio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de março de 2001
Mauricio Della Barba 
A prática virou coisa comum em Londrina e muitas cidades do Brasil. O pagamento virou uma obrigação. E os motoristas viram bicho toda hora que um flanelinha, também conhecido como guardador de carros, chega e entrega um papelzinho cobrando até R$ 5,00 pelo serviço.
Agora profissional, o flanelinha conta com placas, banners, funcionários, boletos impressos em gráfica, colete de segurança, faixas refletivas e até troco para notas de R$ 50,00.
Dividem as ruas sem a permissão da prefeitura, como se fossem donos do asfalto. Disputam o cliente com apitos, acenos, quase que se jogando sobre os carros. Não são nada educados e chegam a exigir pagamento antecipado. Discutem e até xingam o cliente que não aceita pagar. A vingança pode ser maligna: riscos, amassos, roubos. A possibilidade é grande.
As pessoas ficam acuadas e preocupadas diante da abordagem incisiva do flanelinha. Pagar ou não pagar? Eis a questão. Têm medo das possíveis consequências, receio de perder o carro. No fundo, têm medo mesmo é do flanelinha. Justamente aquele sujeito que está ali para fazer a segurança. Ora, onde está a Polícia?
Se a quantia paga não é a mesma que foi combinada, a reclamação é dele. Neste caso o cliente não tem razão. Tem sim é que pagar. Flanelinha agora não ganha trocados. Tem lucro. Guardar carros virou emprego, e dos bons.
Está na hora da polícia e da prefeitura fazerem algo. O contribuinte já paga imposto demais para também ter que pagar para estacionar o carro na rua. A rua é pública, é de todos. As pessoas têm o direito de ir, vir e permancer sem receber ameaças ou cobranças. A responsabilidade da segurança, pessoal ou material, é da polícia, não do flanelinha.
Senão, daqui a pouco, antes de sair de casa, será necessário reservar sua vaga de estacionamento na rua. Para isto bastará ligar no celular do flanelinha da Rua Segura Ltda. Era só o que faltava!


