Guardadores de carro não querem emprego
A criação de novos empregos em Londrina foi apontada pelo diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, como a única maneira de diminuir o número de flanelinhas pelas ruas de Londrina. Porém, na prática, muitos destes profissionais não abandonariam a atividade de guardador de carro por qualquer emprego.
Há oito anos no ramo, Júlio Rodrigues de Abreu, de 25 anos, conta que não pensa em arrumar outro serviço. ''Já recusei algumas propostas porque o salário não compensava'', declara. Outros, como o tratorista João Aparecido dos Santos, de 36 anos, trabalham alguns dias por mês só para complementar a renda. Ele ajuda um amigo que tem um ponto na Prefeitura e consegue cerca de R$ 5,00 por dia.
Diante da situação o diretor de trânsito, afirma que a criação de novos empregos atenderia às pessoas que ainda não entraram no ramo. ''Se a regulamentarmos a profissão será ainda pior, porque teremos que delimitar número de vagas. É um assunto complicado. Porque se abrirmos vagas para o serviço, com o número de desempregados, teremos mais gente tentando ser flanelinha'', reflete.
Além da renda, outros motivos empurram as pessoas para esse ofício. Ademir Davide, de 58 anos, encontrou nesse tipo de trabalho a única maneira de sustentar a família. Como ele tem problemas de saúde, não pode fazer serviços pesados. ''Aqui eu fico na sombra e só corro para cobrar os motoristas'', conta. Ele trabalha há sete meses no estacionamento da Prefeitura.
''Realmente é um problema de díficil resolução'', afirma Grotti. Ele relata que conhece apenas uma cidade onde alguns flanelinhas se subordinaram a um programa social São Luís, no Maranhão. Mesmo assim, o diretor conta que os idealizadores do projeto tiveram muitas dificuldades para implantá-lo. ''Aqui, o que podemos fazer é conviver com esta realidade'', afirma.(C.R.)





