Guardador das águas e das nascentes
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domingo, 09 de outubro de 2011
Mariana Guerin <br> <br> Reportagem Local <br> 
Aos 54 anos, o contabilista Mario Molina desistiu do escritório para dedicar-se a uma causa que, segundo ele, é muito mais nobre: a defesa do meio ambiente. Vindo da roça, como ele gosta de contar, Molina morou até os 10 anos em uma chácara que ficava na zona rural de Arapongas, local onde hoje estão sendo erguidos diversos loteamentos urbanos.
Foi na casa de barro com fogão a lenha que ele aprendeu com os avós e os pais a respeitar os recursos naturais que a terra nos dá e herdou ainda a vontade inesgotável de plantar árvores. ''Você tem contato com a natureza e vai se apaixonando.''
Quando assumiu a presidência do Clube dos Escoteiros, Molina decidiu que transformaria a sede, antes abandonada, e que o local também seria reflorestado. E foi como presidente da Associação de Pais e Mestres de um colégio estadual de Arapongas que ele organizou bailes e eventos sociais para custear as obras de reflorestamento.
Já conhecido na cidade por seu jeitão de ambientalista, Molina foi convidado a participar do Conselho Municipal do Meio Ambiente, com o intuito de criar uma lei ambiental para o município, em parceria com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
''Demoramos uns cinco anos até a legislação ser aprovada, mas ela ainda é pouco respeitada'', constata Molina, citando a cultura incendiária da população vizinha aos fundos de vale. ''Perdemos muitos plantios de árvores, mas a Prefeitura não multa.''
Seguindo na luta para criar uma consciência ambiental na população araponguense, o contabilista participou de diversas conferências de meio ambiente, inclusive a nacional, em Brasília. ''De lá saimos com a obrigação de proteger as florestas e nascentes'', lembra.
Uma das ações mais significativas em prol do meio ambiente em Arapongas foi a criação de um centro de tratamento de resíduos da indústria moveleira. A ideia deu tão certo que hoje a Central de Tratamentos Residuais (Cetec) possui um viveiro de mudas que são distribuídas gratuitamente para produtores da região reflorestarem suas propriedades, além de tratar e destinar corretamente todas as sobras do chão de fábrica do parque industrial da cidade.
''Antes, os empresários tocavam fogo em tudo'', rememora Molina, destacando que a capacidade de produção do viveiro chega a 100 mil mudas por ano. ''As mudas facilitam o reflorestamento em áreas que já estão tomadas pelo capim'', explica o contabilista.
Mas foi com mudas doadas pelo IAP que Molina reflorestou três importantes ribeirões que circundam a zona urbana da cidade: o córrego Tabapuã, onde foi construído o Parque das Nações, o Ribeirão Campinho, onde hoje funciona o Parque dos Pássaros, e o córrego Aimoré, reflorestado há cerca de 5 anos, com a participação de alunos do Colégio Mãe Divino Amor, vizinho à nascente.
Cinco anos depois, os já adolescentes estudantes que ajudaram a plantar mudas na área de preservação permanente visitaram a mata fechada que se formou ao redor da nascente e se encantaram com o que viram. ''As mudinhas eram tão pequenas que eles acharam que não iam vingar'', comemor a professora Rosimeire Mazuquim, que também coordenou o plantio na época.


