Curitiba A Guarda Municipal despejou ontem pela manhã cerca de 80 famílias que ocupavam uma área da Prefeitura de Curitiba, no bairro São Braz. As famílias estavam no terreno considerado de preservação ambiental desde o dia 13 de março. Dois dias depois, a Justiça determinou a reintegração da área, o que não foi cumprido pela Polícia Militar (PM). No dia 30 de março, o juiz da 2 Vara da Fazenda Pública, Osório Luiz Moraes Panza, estabeleceu prazo máximo de 48 horas para que a PM retirasse as famílias. ''Novamente, o pedido não foi atendido a Justiça delegou a competência para a Guarda Municipal'', afirmou o procurador do município, Maurício Ferrante.
Participaram da operação cerca de 600 guardas municipais. Foram necessários 80 caminhões para transportar o material que deverá ser reaproveitado pelos sem-teto. Foram destruídos 147 barracos, dos quais entre 40 e 50 estavam vazios, de acordo com a prefeitura. Ainda segundo a prefeitura, apenas cinco famílias tinham ido para a Central de Resgate Social, mantida pelo poder público municipal e onde podem se instalar temporariamente até encontrarem nova morada. A prefeitura estima que a maior parte das famílias já tinha outro lugar para ir.
Mas pelo menos duas famílias entrevistadas pela Folha diziam estar desamparadas. ''Não temos para onde ir'', disse a desempregada Ângela Aparecida de Oliveira Souza. Marli Vieira de Jesus também estava desesperada. ''Não sei o que vai ser da nossa vida. Vamos morar na rua, pois não podemos pagar aluguel.''
Segundo o procurador do município, devido aos danos ambientais e materiais, a prefeitura vai entrar na Justiça contra o governador Roberto Requião (PMDB), o secretário de Estado da Segurança, Luiz Fernando Delazari, e o comandante geral da PM, David Pancotti. ''Estamos ainda estimando o valor da indenização.''
O diretor-geral da Secretaria de Estado de Segurança Pública, coronel Rubens Guimarães, disse que a PM não cumpriu imediatamente o mandado judicial porque existe um cronograma de reintegrações, obedecendo a uma lista de ações prioritárias. Ele disse ainda que, quando foi decretado o mandado de reintegração, o governo tentou contato com a Companhia de Habitação (Cohab), para já estabelecer novo local para abrigar as famílias, mas não houve retorno.

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