Guarda municipal desocupa área invadida
Israel Reinstein
De Curitiba
A Guarda Municipal realizou ontem nova desocupação de um terreno da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-CT), que fica na região da Ferrovila, na Cidade Industrial (CIC). Foi a terceira ação da prefeitura durante o feriado de Finados para retirar as 20 famílias que invadiram a área na última sexta-feira. Os invasores afirmam que a prefeitura utilizou-se novamente de jagunços para queimar seus barracos e destruir seus pertences.
A desocupação aconteceu às 8h30 e não durou meia hora. Os guardas municipais chegaram escoltando um grupo de pessoas estranhas à corporação, que vieram em um Escort, com placa CBB 0966, de São Paulo. O chefe dos funcionários sem identificação, Gerson, afirmou que eles trabalham na Cohab, realizando serviços gerais e limpeza de terrenos. Foram esses supostos funcionários que demarcaram os lotes delimitados pelos invasores. Sem realizar qualquer resistência, as famílias apenas acompanharam a destruição dos barracos.
Para o invasor Luiz Fernando Andrade, 26 anos, os funcionários da Cohab entraram de maneira agressiva, empurrando e queimando o que estava pelo chão. Eles estavam sem controle, reclamou Geni Maria dos Santos, 64 anos. Viúva e mãe de seis filhos, ela vive ao lado da área ocupada, num terreno regularizado. Mesmo assim, eles queriam queimar a madeira que uso no fogão a lenha, alegando que ela seria usada para construir casas para os invasores, contou.
Geni disse que não perdeu todo o estoque de madeira porque uma vizinha interveio na discussão dela com a Guarda Municipal. Mas eles, de raiva, destruíram minha cerca, reclamou Lúcia de Araújo Campos.
As famílias invasoras reclamaram que o presidente da Associação dos Moradores da Ferrovila, José Nilson Alves Cordeiro, estimulou as ocupações daquele terreno. Segundo os moradores, Cordeiro age dessa maneira para depois poder vender os lotes. No entanto, o presidente da associação se defende alegando que outras famílias é que se utilizam dessa prática.
Cordeiro colocou a culpa na Prefeitura de Curitiba pelas constantes invasões. Foram retiradas famílias dessa região, com a promessa de serem novamente relocadas, após um trabalho de urbanização, disse. E nada foi feito, reclamou. No entanto, a assessoria de imprensa da prefeitura afirmou que o projeto de revitalização da área não define novas relocações, mas a implantação de uma área de lazer.
A prefeitura informou que vai investigar a ação de José Cordeiro na região. No entanto, o município não se posicionou sobre a utilização de jagunços na retirada das famílias.Foi a terceira ação da prefeitura para retirar as 20 famílias que ocuparam o terreno da Cohab na sexta-feira
José SuassunaJosé SuassunaInvasores afirmam que prefeitura utilizou-se de jagunços para queimar barracos e destruir pertences: Eles destruíram minha cerca, reclamava Lúcia Campos





