Quem visita Foz do Iguaçu, logo percebe uma cidade atípica, localizada em meio às fronteiras Brasil-Paraguai-Argentina, e que está o tempo todo aberta a visitantes inusitados. Mais do que uma bela cidade marcada pelas águas cristalinas das cataratas, Foz também tem a ''mancha'' da criminalidade marcada junto ao nome, imagem que tem sido fortemente combatida pelos órgãos de segurança do município.
Há 13 anos, a cidade ganhou uma alternativa a mais de segurança. Implantada no dia 5 de maio de 1994, a Guarda Municipal (GM) é hoje uma das referências de ''proteção'' para os iguaçuenses. Além de atuar como agente fiscalizador de trânsito, a GM trabalha dando apoio ao turista, realiza tarefas de cunho cívico-sociais relacionadas à defesa civil e meio ambiente. Mas é no combate à criminalidade, tarefa que realiza em parceria com a Polícia Militar, Civil e Federal, que a GM tem se destacado.
Ocorrências como prisões, recuperação de veículos e apreensão de armas e tóxicos já fazem parte do dia-a-dia de trabalho da GM de Foz. Segundo o comandante da guarda, coronel Renato Perez, mais de 120 mil ocorrências já foram atendidas desde a implantação; deste número, cerca de 30% envolvem a área policial. Nos últimos dois anos, a GM apreendeu mais de 300 armas e tem ganhado cada vez mais a confiança da população por meio do projeto ''Xerife no Bairro'', onde os guardas trabalham contando com o apoio da comunidade. ''A atuação da GM se dá em função da confiança que a guarda recebe das pessoas. Recebemos muitas denúncias e ligações que nos ajudam no combate aos crimes'', diz Perez.
Ao todo, são 305 guardas municipais, sendo 266 homens e 39 mulheres, com 22 viaturas e 48 motocicletas. Além de residirem em Foz, todos são funcionários do município e trabalham seis horas diárias com uma folga semanal. Em 2001, a GM deixou de ser apenas uma autarquia e se transformou em Departamento, quando também foi criada a Secretaria Municipal de Cooperação para Assuntos de Segurança Pública.
A partir de 2003, com a criação do Estatuto do Desarmamento, levantou-se a polêmica de que a GM de Foz precisaria ser desarmada. O coronel Perez explicou que está procurando cumprir todas as exigências impostas pelo estatuto, se adequando ao que está previsto em Lei Federal número 10.826/03, como por exemplo, a criação de uma corregedoria e uma ouvidoria para apurar infrações disciplinares atribuídas aos servidores.
''Já estamos na fase de conclusão desse procedimento. Para se ter uma idéia da confiança do trabalho da GM de Foz, em 2005 ganhamos 60 pistolas, o que prova que a GM não está à margem da lei'', ressalta. Ainda segundo o comandante, a boa atuação se deve também à parceria com os demais órgãos de segurança da cidade. ''Há uma cooperação entre a Polícia Civil e Militar. Na guarda, estamos sempre observando a conduta dos servidores, pois o maior bandido é aquele que está dentro da corporação e que não efetua seu trabalho corretamente. Aqui não deixamos isso acontecer'', reforça.
O guarda municipal Brito, que está na GM desde a sua implantação, conta que há uma forte ligação com a comunidade. ''Somos moradores daqui e acabamos criando um vínculo com a população. Por onde passamos, recebemos informações e denúncias e os moradores sempre nos querem por perto'', diz.

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