Em 1989, perto de completar 13 anos, Carlos Pelegrini via na Guarda Mirim de Londrina a sua grande chance de ser inserido no mercado de trabalho com uma formação que lhe garantisse o encaminhamento a alguma empresa. Não demorou muito para que a oportunidade surgisse, e hoje, aos 27 anos, ele tenta fazer o mesmo a outros adolescentes que passam por um pouco do que ele passou.
Pelegrini é um dos responsáveis pelos projetos de responsabilidade social da Sercomtel, empresa que assinou ontem o convênio de cooperação econômica com a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância Guarda Mirim para o repasse de R$ 300 mil à entidade, feito em 11 parcelas.
Na solenidade realizada no gabinete do prefeito Nedson Micheleti (PT), o presidente da telefônica, João Rezende, comentou que a contribuição será destinada principalmente à reativação da padaria, na ampliação da oficina de informática e na criação de oficinas de manutenção em telefonia e reparos de aparelhos, além das de artesanato, jardinagem e horticultura.
''Vamos arcar também com o pagamento de pessoas da administração e de educadores não voluntários. Outra meta é buscar o envolvimento de funcionários da empresa nessas atividades'', destacou, lembrando que a Sercomtel já possui um grupo interno o ''Comitê de Solidariedade'' com ações específicas no chamado terceiro setor, composto basicamente por entidades e organizações não-governamentais (ONGs). É desse grupo, segundo Rezende, que partirá a iniciativa de ampliar ainda este ano o prédio da Guarda Mirim.
Para a presidente da associação, Rose Sabino, a iniciativa é louvável, mas precisa ser adotada por mais grupos empresariais da cidade, considerada a situação de risco em que muitos adolescentes chegam na entidade. ''Nossa assistência muitas vezes vai até a família, no sentido de orientá-la. São muito comuns casos de pais alcoólatras, dependentes químicos ou sem presença na vida do filho. Assim, se a gente não vai até o problema agora, é ele que vem'', analisou.
Em Londrina desde 1965, a Guarda Mirim de Londrina atende hoje mais de 300 adolescentes em situação de risco na cidade.

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