A disputa no transporte coletivo começa a atingir em cheio a comunidade mais carente. Os primeiros a sentirem o peso da briga entre Prefeitura e Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) estão sendo as entidades assistenciais que dependem de passes cedidos pela empresa. A Guarda Mirim, por exemplo, fechou as portas há duas semanas porque os alunos não têm condições de pagar o transporte. A Guarda Mirim atende 400 meninos com idades entre 12 e 17 anos, que recebiam passes diariamente. Além de cursos como datilografia, os adolescentes recebem reforço escolar e alimentação. ‘‘Vai continuar fechado porque nós não temos como pagar o ônibus e as famílias dos meninos também não’’, lamenta a vice-presidente da entidade, Lígia Meneghel. Segundo ela, a verba destinada à Guarda Mirim pela Prefeitura mal dá para cobrir os gastos. ‘‘O problema é que esses meninos estão sem atendimento pelas ruas’’, diz. Segundo ela, diariamente chegam bilhetes de famílias pedindo para que o trabalho seja retomado. ‘‘Só vamos abrir quando o problema dos passes for resolvido.’’ Segundo Lígia, a entidade já procurou solução junto a TCGL, Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e Prefeitura. ‘‘Mas se a empresa não manda os passes, a Prefeitura não tem como repassar’’, diz. ‘‘O caso é sério e afeta muitas entidades.’’

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