Depois de ficarem um ano estudando e realizando cursos semi-profissionalizantes, 280 adolescentes da Guarda Mirim de Londrina se formaram no domingo, no Ginásio de Esportes Moringão (centro). Eles fazem parte de um universo de mais de mil adolescentes entre 12 e 17 anos atendidos pela entidade.
A Guarda Mirim é mantida por um grupo de voluntárias que forma a Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI). A nova presidente da entidade, Cristina Barros, explica que os adolescentes, mesmo depois de formados, ficam sob responsabilidade da Guarda até completarem 18 anos ou serem contratados por alguma empresa.
Cristina Barros informa que as inscrições para o próximo ano já estão abertas e se encerram no dia 6 de dezembro. A exemplo dos anos anteriores, o número de inscrições deve superar a capacidade máxima da entidade, que é de 355 alunos. É feita uma triagem e dada preferência aos mais carentes.
Segundo a assistente social da Guarda Mirim, Lélia Maria Reis Refindini, todos os alunos, apesar de serem carentes, possuem família. ‘‘A renda familiar deles é de até três salários mínimos’’, constata. Para ingressar na Guarda Mirim é obrigatório o adolescente estar estudando - ele frequenta a escola convencional em um turno e, no outro, fica na entidade.
Além de cursos de datilografia e de mensageiro, os adolescentes recebem também aulas de matemática, inglês, português e educação sexual, ministrados por estagiários da UEL. Lélia Refindini observa que eles têm também assistência médica, odontológica e psicológica. Dois policiais do 5º Batalhão da Polícia Militar se encarregam de passar noções de disciplina aos adolescentes.
A diretoria da entidade procura estágios remunerados para todos os adolescentes, depois que eles se formam. Do total de atendidos na Guarda Mirim, 625 fazem estágios remunerados em empresas da Cidade como office-boys. A presidente da entidade ressalta que, além de ajudar profissionalmente, o estágio contribui no orçamento familiar.
Muitos dos estagiários da Guarda Mirim conseguem ser contratados pelas empresas. Um exemplo é o bancário Aildo Brito de Lima, 27 anos. Ele conta que frequentou a Guarda Mirim em 1983. Ao término do curso, foi fazer estágio em um banco, conseguiu ser contratado e continua trabalhando no local até hoje.
Sobre sua passagem pela Guarda Mirim, Aildo de Lima lembra dos cursos profissionalizantes. Mas ele destaca que a disciplina imposta pelos policiais militares foi muito importante para o seu desenvolvimento.
Cristina Barros comandará a entidade por dois anos. Ela sucede Lígia Meneghel na presidência da Guarda Mirim. Segundo Cristina, a principal luta da diretoria será conseguir verbas para aumentar o espaço físico da sede e, assim, poder atender mais adolescentes. Ela explica que a Guarda Mirim recebe ajuda do poder público, mas sobrevive principalmente das promoções feitas pela diretoria.

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