Quando se trata de violência nas escolas, uma iniciativa simples e relativamente barata que vem sendo desenvolvida há 10 anos, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), pode servir de exemplo para o resto do País. É a Guarda Escolar, um grupo criado pelo Conselho Comunitário de Segurança com apoio do Rotary Clube e Conselho Industrial e financiado pela Prefeitura Municipal de Cambé, que vem atuando com sucesso em oito das escolas daquela cidade.
Segundo o secretário-geral do Conselho de Segurança, Antônio de Alencar, a Guarda Escolar foi instituída dentro do projeto de criação do próprio Conselho. ‘‘Na época, o governo do Estado estava enfrentando muitas dificuldades para equipar as Polícias Civil e Militar. Era a época em que as viaturas ficavam paradas por falta de pneus e até combustível. Resolvemos que precisávamos de algo para ajudar na segurança. E uma das idéias foi a formação de um grupo preventivo para atuar nas escolas’’, explicou.
Segundo ele, na época, a segurança nas escolas era um assunto delicado. ‘‘Havia realmente muita insegurança, pessoas vendendo drogas nas portas das escolas, roubos e furtos constantes.’’ Com o respaldo financeiro da Prefeitura - que mantém uma dotação orçamentária de R$ 9 mil para cobrir salários e encargos -, o Conselho contratou 21 homens para atuar nas escolas. Através de convênios com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, o grupo fez cursos e treinamentos com a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
Dez anos depois, o grupo inicial mudou mas continua com 21 homens - com idades que variam entre 30 e 56 anos - e atende oito das 43 escolas da rede pública municipal e estadual. ‘‘Todas as escolas nos requisitam o atendimento da Guarda Escolar, mas infelizmente não temos condições de ampliar o quadro. Por isso, priorizamos pontos mais críticos’’, lamentou Alencar. Os guardas trabalham em pares (menos em escolas muito pequenas, que são atendidas por apenas um), uniformizados e desarmados. ‘‘Eles estão lá para proteger as crianças, não para cuidar de prédios ou servir de porteiros ou office-boys’’, observou.
Alencar fez questão de frisar que os guardas escolares não são uma força policial ou militar. ‘‘Eles não podem agir como policiais, não têm autorização nem orientação para prender bandidos. A função deles é evitar que estranhos se aproximem, evitar brigas e alertar direção e alunos para as situações de perigo’’, explicou.
Segundo o Secretário de Educação de Cambé, professor José Garcia Gonzales Neto, depois que a Guarda Escolar começou a atuar na cidade, houve uma diminuição sensível de ocorrências policiais nas escolas, embora não haja estatísticas sobre o assunto. ‘‘A Guarda é uma instituição preventiva e fiscalizadora muito eficaz. Ela inibe ação de marginais junto às nossas crianças’’, garantiu.
Para ele, por trabalhar em uma área de abrangência limitada e um público definido, os guardas escolares podem oferecer um maior controle de aproximação de pessoas suspeitas. ‘‘Esta é uma iniciativa que, se pudesse, deveria ser estendida a todas as cidades brasileiras. Afinal, as escolas deveriam ser um local de paz e convivência fraterna e não este absurdo que estamos vendo todo dia na TV’’, justificou.
Para Estela de Fátima Camata, diretora da Escola Estadual Attilio Codato, um dos colégios beneficiados com a Guarda Escolar, a iniciativa do Conselho de Segurança é importantíssima. ‘‘Só posso elogiar a atuação destes profissionais. Eles nos ajudam bastante e já impediram, inclusive, ação de pessoas que tentaram entrar aqui à força’’, contou.
Desde que assumiu a direção da escola, em 95, Estela diz que já havia guardas ali. ‘‘Naquela época, aliás, tínhamos quatro, dois por turno. Mas dois acabaram saindo e, infelizmente, não foram substituídos. E fazem falta’’, afirmou. Para ela, esta é uma iniciativa que deveria ser incentivada e estendida. ‘‘O perigo, hoje, está em todos os locais. E a escola, infelizmente, acaba sendo um alvo fácil.’’Paulo WolfgangTrabalho preventivoDorival Magri, em atividade há 10 anos: ‘‘Dificultamos a ação de traficantes de droga’’ Telma Elorza

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