Guarda de carros rende R$ 450,00 a cada mês
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quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Curitiba 
Paulo garante que não cobra pelo cartão de estacionamento mais do que a própria Urbs. Cada um paga quanto puder. Mas a maioria dá R$ 1,00. Eu ganho por baixo R$ 450,00 por mês. Sou eu que faço a compra de supermercado lá de casa. Eu é que sei o que cada um gosta, precisa e merece. Lá em casa tem bife todos os dias.
A família mora no Pinheirinho. Além de Paulo Éber, o guardador de carros tem mais três filhas, de cinco, sete e nove anos. A mulher dele não trabalha fora, fica em casa com as meninas. O filho que ajuda no trabalho da rua estuda à tarde e fica com o pai das 8 h às 12 horas. Paulo nunca volta para casa antes das 19 horas.
Antes de ser guardador, ele trabalhava como autônomo, vendendo frios que pegava em frigoríficos diversos. Eu vendia para particular. Tinha muitos clientes mas nem de longe ganhava o que ganho agora. Ele diz que gosta do trabalho atual por que lidacom o povo.
A briga por um lugar ao sol passa pela colaboração política. Procuro um vereador, anuncia. Com a ajuda de algum patrono com trânsito junto à Urbs, Paulo tem o sonho de legalizar o sindicato dos guardadores, do qual é vice-presidente. Não digo meu sobrenome por que tenho vergonha da minha profissão não ser legalizada. O guardador quer um escritório com telefone para receber os outros guardadores. Minha cabeça tem um desenvolvimento adiantado e com o sindicato eu poderia transformar pessoas descapacitadas (sic) em boas pessoas. Quero uma profissão super legalizada para ninguém nos desvalorizar, sonha.
Ele garante que os guardadores são pessoas muito corajosas. Somos anti-furtos. Aqui, antes de eu vir trabalhar era barra pesada. Hoje nenhum malandro vem aqui me desonrar, alardeia.


