Dos R$ 60 mil arrecadados mensalmente em multas e outras ações dos órgãos responsáveis pelo gerenciamento do trânsito em Guarapuava, apenas R$ 6 mil retorna ao município. Os números e o descaso do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) que, segundo a prefeitura, desde 1996 não faz investimentos na cidade, são os motivos para a municipalização do trânsito em Guarapuava.
Ainda que permitida desde 1998, a transferência da responsabilidade para o município vinha sendo adiada devido à ameaça da perda de recursos para um amplo projeto de sinalização semafórica e instalação de uma central de controle. O investimento do Detran seria da ordem de R$ 800 mil.
‘‘Infelizmente, depois deste projeto estar tramitando desde 1996, o dinheiro acabou não chegando em Guarapuava’’, argumenta o diretor técnico da Companhia de Urbanização de Guarapuava (Surg), engenheiro César Sanchez. Para ele, a expectativa sobre o envio dos recursos só serviu para atrasar o processo de municipalização.
O diretor do Detran, César Roberto Franco, alega que as verbas para sinalização eram limitadas e que por isso Guarapuava ficou de fora. Franco diz também que as funções básicas do Detran são emissão de habilitação de condutores e de documentação de veículos.
Com a municipalização, a prefeitura pretende gerenciar diretamente a arrecadação das multas e ter autonomia na engenharia de trânsito e a fiscalização. ‘‘Está provado que o maior problema que temos é com o excesso de velocidade, haja vista o grande número de pedido de lombadas’’, afirma César Sanchez, dizendo que com mais recursos serão adquiridos controladores de velocidade para aumentar a segurança nas ruas.
Segundo o Pelotão de Trânsito do 16º Batalhão da Polícia Militar, de janeiro a junho deste ano aconteceram 423 acidentes no perímetro urbano de Guarapuava. Do total, 256 foram colisões que feriram 1.821 pessoas e fizeram uma vítima fatal.

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