Guarapuava tem propostas para parques
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de março de 1999
Anna Camanducaia 
Dois pedidos já tramitam na prefeitura de Guarapuava para a abertura de parques privados de caça. São os primeiros a tentar se enquadrar no decreto 110/98, do prefeito Vitor Hugo Burko, que torna possível a criação de animais para caça e estabelece a formação de uma comissão multidisciplinar para verificação de áreas candidatas a comportar os parques.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Florestal e Turismo, Mauro Battistelli, para instalar o parque o proprietário deve ter reserva legal averbada, áreas de preservação permanente protegidas, local característico para a criação da espécie escolhida e estoque de animais.
A comissão, formada por técnicos do município e de outras instituições, como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), define a quantidade que pode ser abatida.Os animais podem ser exóticos ou aqueles que existem em grande quantidade e podem causar danos para o produtor, como é o caso de animais que chegam a comer toda a lavoura.
Segundo Battistelli, a iniciativa deve aumentar a fauna na região, gerar recursos para o município e os produtores, e ajudar na conservação do meio ambiente. Os lugares do mundo que têm parques de caça aumentaram sua fauna e tiveram muita renda, diz o secretário.
Dos animais criados, 60% devem ser abatidos e o restante deixado na mata. Há um ano e meio, a prefeitura vem incentivando a criação de animais. Hoje, 16 agricultores têm matrizes para reprodução. Até agora, temos 300 novos animais, afirma Battistelli. Entre eles, estão catetos, queixadas (porcos do mato), capivaras e veados.
A preservação ocorreria, segundo Battistelli, uma vez que os animais seriam fonte de renda e os proprietários não destruiriam seu habitat para fazer outros empreendimentos.
O representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Não Renováveis, no Paraná, Luiz Antonio Melo, afirmou que pode haver caça dos animais que nasceram em cativeiro, mas não de animais nativos por motivo de excesso. No Rio Grande do Sul, permite-se a caça como manejo de fauna, mas isso é acompanhado de estudo de 15 anos e acompanhamento do Ibama, diz. Não é de uma hora para outra que se implanta isso.
Fiscalização - O diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação do Meio Ambiente (SPVS), Clóvis Borges, disse que a preocupação com a implantação de parques de caça se deve à falta de controle que existe no país em relação ao meio ambiente. No contexto geral, estamos mal na questão de controle. Somos um país sem monitoramente e fiscalização, afirma. O governo libera a exploração do palmito e não controla. A floresta de araucária ainda está sendo colocada abaixo.
Segundo ele, os caçadores não são sérios. Sem autorização, hoje já caçam no Parque Nacional de Superagui e Parque Nacional do Iguaçu. Se houver mais abertura, não sei o que acontecerá. É demagogia falar que o Paraná está sendo protegido.


