Guarapuava tem 35 mil desempregados
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quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
Edna MendesSituação críticaPesquisa denuncia a existência de 28 favelas na zona urbana de Guarapuava e duas na zona rural Pesquisa sócio-econômica realizada para verificar o nível de pobreza em Guarapuava constatou que existem 35 mil pessoas desempregadas na cidade. O levantamento também constatou que 73% da população (151.850 habitantes, segundo o Censo de 1996) não completou o primeiro grau e que o número de favelas já chega a 28 na zona urbana e duas na zona rural.
A pesquisa, por amostragem, foi coordenada pela Secretaria Municipal de Promoção Social, com apoio da Secretaria Municipal de Educação, Fundação do Bem Estar do Menor (Fubem), estudantes e 26º Grupo de Artilharia e Campanha.
Foram entrevistados cerca de 53 mil moradores de 38 áreas demarcadas, segundo critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados da pesquisa foram analisados pelo mestre em estatística da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Victor Hugo Zanetti.
A secretária de Promoção Social Maria Magdalena Nerone analisa como crítica a situação da falta de emprego na cidade. Esse quadro é alarmante. O número de desempregados é resultado do volume de problemas sociais que a cidade enfrenta. Isso também se deve ao número de pessoas que migrou para cá nos últimos anos, disse.
Segundo a secretária, que é socióloga, o sistema de saúde do município e a falta de uma política agrícola eficiente foram os principais atrativos para mais de 20 mil pessoas que se mudaram para Guarapuava nos útimos dois anos. Mesmo que o IBGE divulgue que o município perdeu população, houve acentuada migração de gente dos municípios vizinhos, afirmou.
O chefe da agência local do Sistema Nacional de Empregos (Sine), Félix Kaminski Rodrigues, discorda dos números divugados pela pesquisa e alega que o número de desempregados na cidade não ultrapassa 11 mil pessoas. Para nós essa pesquisa não vale. Há desemprego em Guarapuava como em outras cidades. Aqui essa questão está equilibrada. O número divulgado pela prefeitura é estratégia política para participar de programas sociais, atacou. Rodrigues alegou que a grande maioria da população da cidade vive de empregos informais.
Na pesquisa, a Secretaria de Promoção Social também comprovou que apenas 56% da população possui carteira de identidade (documento essencial para cadastros em agências de emprego).
O prefeito em exercício, Antonio França Araújo (PMDB), ficou surpreso com o resultado da pesquisa. Ele disse que o trabalho não foi realizado para contestar números e sim para traçar estratégias de ação. Nós não tínhamos idéia de que a situação estivesse neste nível. A pesquisa é muito esclarecedora e foi realizada para levantar o diagnóstico do município, porque achamos que não podemos desenvolver nenhuma ação sem dados concretos. Também temos certeza da veracidade desta pesquisa, que foi coordenada por pessoas de alto gabarito e que entendem do assunto. Infelizmente a realidade é essa, disse.
Araújo afirmou que alto índice de pessoas com escolaridade baixa, sem documentos, e a migração foram os principais fatores que contribuíram para o aumento do desemprego. Pessoas sem documentos, não têm escolaridade e nem qualificação profissional. O Sine não tem dados concretos sobre o desemprego porque muita gente não se candidata às vagas porque não tem documentos e nem a escolaridade mínima exigida, ressaltou.
A prefeitura está viabilizando a vinda de algumas indústrias para Guarapuava, para gerar aproximadamente 1,5 mil empregos. Para essas vagas serão cadastradas pessoas que moram no município há pelo menos dois anos.
Comunidade solidária Segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES), no mapa da pobreza do Paraná em escala de razoável, menos crítica, crítica e muito crítica, a situação de Guarapuava consta como menos crítica.
Pela pesquisa coordenada pela Promoção Social, Guarapuava está na tipologia dos municípios de maior pobreza do Estado, onde deveria constar como crítica ou muito crítica.
Estamos entre os piores municípios do Estado em termos de pobreza. Apesar disso, Guarapuava não participa do programa social do governo federal, o Comunidade Solidária. A pobreza aqui sempre esteve muito camuflada. O município de Ponta Grossa, que está avaliado como razoável, participa do Comunidade Solidária. Como é que Guarapuava, onde muita gente vive em condições de miserabilidade, não participa?, questionou a secretária de Promoção Social.


