GUARAPUAVA - De janeiro a outubro, foram registrados em Guarapuava 264 casos de violência contra a mulher, a maioria deles por lesões corporais. A estatística revela 5 tentativas de homicídio, 3 homicídios, 9 casos de estupro, 4 tentativas de estupro e 7 casos de atentado violento ao pudor. Também foram anotados 84 ameaças, 23 agressões, 13 casos de calúnia e difamação e 111 lesões corporais. Os dados estão no relatório da 14ª Subdivisão Policial.
Os números foram coletados como parte do trabalho de estruturação da Delegacia Especial da Mulher, que deve ser instalada em Guarapuava no próximo ano. ‘‘A instalação dessa delegacia é prioridade para a sociedade regional, uma vez que a maioria das cidades do porte de Guarapuava conta com esse benefício’’, diz o delegado-chefe Darci Bianchini.
Ponta Grossa, Cascavel, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu já têm delegacias do gênero em pleno funcionamento. Em 1992, Guarapuava foi a terceira cidade do Estado em casos de violência contra a mulher. A campanha pela abertura da Delegacia da Mulher vem desta época.
Segundo Bianchini, o número de casos supera o volume de queixas. Um caso típico, que muitas vezes não chega ao conhecimento da polícia, é a violência cometida pelo marido contra a mulher. O delegado diz que muitas mulheres não se sentem à vontade para prestar depoimento diante de policiais do sexo masculino. Na delegacia especial, elas são atendidas por mulheres policiais.
Apesar do constrangimento, são denunciados ou descobertos pela polícia, em média, quatro casos de agressão dentro de casa por dia. Laysy Bertotti, coordenadora da Pastoral Carcerária de Guarapuava, diz que os números confirmam a necessidade da Delegacia da Mulher em Guarapuava.

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