Cerize Gomes




Reduto de pinheirosOs 50 alqueires do Parque das Araucárias concentram uma das últimas reservas de pinheiro do Paraná. Do total, 43% da área são de florestas de araucárias. Até a próxima semana, o Funbio deverá apresentar o relatório sobre os projetos. Foto de baixo, o chalé (em reforma) que vai abrigar um centro de estudos sobre o meio ambiente dentro do parque.



O Parque das Araucárias, em Guarapuava, é o único com plantas nativas dessa espécie que está legalizado no Brasil e concorre às 45 vagas disputadas por 2.400 municípios brasileiros para investimentos em programas de biodiversidade. O parque tem área de 50 alqueires, dos quais 43% são florestas de araucária.
A Prefeitura de Guarapuava protocolou projeto junto ao Fundo Brasileiro de Biodiversidade - Funbio, para viabilizar as obras de infra-estrutura, sediar criatórios, museus naturais e hortos medicinais no Parque das Araucárias. O projeto trata do desenvolvimento da criação de um centro de estudos ambientais em Guarapuava, que poderá ser largamente utilizado para fins científicos, culturais, turísticos e pedagógicos.
O secretário de Meio Ambiente e Turismo, Mauro Batistelli, disse que o programa foi elaborado em sistema de parceria, envolvendo a Prefeitura, Instituto Ambiental do paraná - IAP, Fundação Boticário, Universidade Estadual do Centro-Oeste - Unicentro, Fundação Rureco, Instituto Agroflorestal - IAF, Embrapa, Emater, Liga Ambiental do Paraná e Conselho Indígena de Guarapuava.
‘‘O projeto concorre com outros 2.400 que pleiteiam as 45 vagas ofertadas pelo Fundo em todo o país, e que possibilitará a liberação de uma verba estimada em US$ 2,4 milhões para os muinicípios que apresentarem as melhores propostas na área de biodiversidade’’, explica o secretário.
Batistelli diz que Guarapuava chama a atenção por ter um projeto abrangente, com previsão de inauguração ainda no primeiro semestre deste ano. O FUNBIO deverá apresentar o relatório dos projetos apresentados até o dia 14.
Preservação As florestas de araucária constituem, atualmente, ecossistema de notável importância no Estado, uma vez que sua área está reduzida a aproximadamente 5% da original. Marcelo Guimarães, presidente da Liga Ambiental do Paraná, diz que essa redução se deve, principalmente, ao avanço da fronteira agrícola e exploração de madeira.
Para o ambientalista, o Parque das Araucárias ‘‘é de notável significância pela beleza cênica, pela densidade e dimensões dos pinheiros e pela proximidade do perímetro urbano, uma vez que fica a apenas 5 quilômetros do centro da cidade’’.
O Parque das Araucárias, distante 260 quilômetros da capital do Estado, se estende entre os rios Piquiri e Iguaçu, com limites com o rio Xarquinho e o sistema do Rio jordão. O clima, geomorfologia solos e vegetação são considerados propícios para estimular programas na área da biodiversidade.
A região de Guarapuava é caracterizada pelos extensos campos naturais, entremeados por capões e faixas ciliares aos rios, com a presença marcante do chamado pinheiro do Paraná.
A mesma paisagem pode ser observada em outros pontos do Estado, como nos campos de Palmas, Ponta Grossa e Curitiba, todos situados em planaltos, geralmente acima de 900 metros de altitude, com clima rigoroso no inverno, incluindo até queda de neve. Em Guarapuava, o aproveitamento do potencial madeireiro da região fez com que espécies valiosas como o pinheiro, a imbuia e o cedro fossem sistematicamente exploradas sem o devido reflorestamento.
Dessa forma, o Parque das Araucárias, representa um remanescente das paisagens naturais, da fauna e da flora do Centro-Oeste do Estado. Em virtude de sua importância, o primeiro trabalho de recuperação de parques ambientais do Paraná foi feito em fevereiro deste ano, no Parque das Araucárias, por uma equipe de estudantes voluntários de vários países, com apoio da Unesco e da Liga Ambiental do Paraná.
Os ambientalistas fizeram a recuperação das trilhas, num total de 7 quilômetros e também dos mirantes sobre as pontes dos rios que cortam o parque. As pontes se encontravam em estado de abandono.
O projeto apresentado pela Prefeitura ao Fundo Brasileiro de Biodiversidade - FUNBIO busca, através de um sistema de parceria com diversas intituições governamentais e não governamentais, viabilizar a infra-estrutura necessária para a criação de um dos maiores centros de estudos ambientais do Paraná.
Com programas em parceria e credibilidade, o projeto de instalação de um Centro de Estudos Ambientais, Programa de Manejo e Biodiversidade no Parque das Araucárias já merece a atenção das instituições ambientalistas, governamentais e não-governamentais.
A expectativa é que o Fundo Brasileiro de Biodiversidade dê atenção à amplitude do projeto que contempla fauna, flora, solos, rochas, história natural, educação ambiental e turismo.
Os ‘‘experts’’ na área, Hipólito Schneider e João José Bigarella, acreditam que o Parque das Araucárias será em pouco tempo um dos maiores centros de biodiversidade do Paraná.
O prefeito Vitor Hugo Burko (PSDB) acredita que Guarapuava têm muito a oferecer ao Estado com a realização desse projeto. Burko ressalta que a questão ambiental é a prioridade em sua gestão e o projeto terá os investimentos necessários para sua viabilização.
‘‘A abertura do Parque das Araucárias está programada para 5 de junho, dia do Meio Ambiente. Guarapuava oferecerá ao Paraná, um ecossitema vivo, de pesquisas e passeios’’, afirma Burko.

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