Arquivo FolhaPrioridadeSecretaria de Habitação reconhece que o número de favelas na cidade é muito altoA favela ‘‘Toca da Onça’’ será a primeira das 26 favelas de Guarapuava a participar do projeto de desfavelamento da Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo. A favela é prioritária no projeto porque fica numa área de manancial e não oferece condições de moradia.
As 63 famílias que moram na favela serão transferidas para um terreno de 45 mil metros quadrados no Morro Alto, onde serão construídas 94 casas. A desapropriação da área, abertura de ruas, cascalhamento, terraplenagem, energia elétrica e água serão de responsabilidades da prefeitura. Os recursos para a obra já foram liberados pela Cohapar.
As casas serão de 31 metros quadrados, sem divisórias mas com água e energia elétrica. O custo de toda a obra é de cerca de R$ 400 mil. Do total de casas a serem construídas, sobrarão 31, que serão utilizadas por familias de favelas vizinhas.
A ‘‘Toca da Onça’’ é a favela mais antiga da cidade. Começou a ser formada há 15 anos, não tem energia elétrica e nem água encanada. Os moradores usam água de uma fonte e de uma torneira coletiva. O local onde ela está situada é de difícil acesso, os carros só chegam até cerca de 300 metros da favela. Os moradores enfrentam muitas dificuldades quando alguém adoece ou morre.
O início das obras está previsto para dentro de 15 dias. Os recursos serão repassados para os moradores em cinco parcelas. As construções serão executadas pelos próprios moradores, mas a prefeitura e a Cohapar vão oferecer a assistência de mestres-de-obras e engenheiros.
ExigênciasO morador que receber a parcela e não cumprir a etapa determinada para a construção, não receberá a parcela seguinte. Esse critério foi adotado para evitar que os moradores recebam o dinheiro e não construam as casas.
Segundo o secretário de Habitação, Leomar Kaminski Júnior, a prefeitura está firmando um convênio com o Senai para que os moradores aprendam a construir as casas através de cursos oferecidos pelo órgão. ‘‘Dessa forma, além de construir a própria casa, o morador aprenderá uma profissão’’, disse.
Kaminski reconhece que o setor de moradias em Guarapuava ainda é problemático. ‘‘O número de favelas para uma cidade do porte de Guarapuava é muito alto. Tem muita gente morando em condições subumanas, correndo sérios riscos de saúde. O problema habitacional aqui é muito grave’’, afirmou.
EmpregoO coordenador de estudos sócio-econômicos da Secretaria Municipal de Promoção Social, Eurides Alves Boeira, disse que durante o levantamento na ‘‘Toca da Onça’’, foi constatado que das 95 pessoas que trabalham, apenas seis têm emprego fixo.
Segundo ele, como o lugar é de difícil acesso, muitos pessoas envolvidas em crimes foram morar na favela. ‘‘Assim quando a polícia chegava lá em cima do morro, dava tempo deles fugiram para o matagal. A viatura não desce até lᒒ, argumenta.
‘‘A maioria das famílias saem para mendigar todos os dias. Quase ninguém tem trabalho, eles necessitam de formação profissional urgente. Mas na Toca da Onça eles não podem continuar, como é área de manancial é a saúde de toda a população que está correndo risco’’, afirmou Boeira.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Florestal e Turismo (Semaflotur) vai reflorestar a área para evitar que outras famílias se instalem na área.

mockup