Guarapuava dá início a desfavelamento
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quinta-feira, 19 de junho de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
Arquivo FolhaPrioridadeSecretaria de Habitação reconhece que o número de favelas na cidade é muito altoA favela Toca da Onça será a primeira das 26 favelas de Guarapuava a participar do projeto de desfavelamento da Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo. A favela é prioritária no projeto porque fica numa área de manancial e não oferece condições de moradia.
As 63 famílias que moram na favela serão transferidas para um terreno de 45 mil metros quadrados no Morro Alto, onde serão construídas 94 casas. A desapropriação da área, abertura de ruas, cascalhamento, terraplenagem, energia elétrica e água serão de responsabilidades da prefeitura. Os recursos para a obra já foram liberados pela Cohapar.
As casas serão de 31 metros quadrados, sem divisórias mas com água e energia elétrica. O custo de toda a obra é de cerca de R$ 400 mil. Do total de casas a serem construídas, sobrarão 31, que serão utilizadas por familias de favelas vizinhas.
A Toca da Onça é a favela mais antiga da cidade. Começou a ser formada há 15 anos, não tem energia elétrica e nem água encanada. Os moradores usam água de uma fonte e de uma torneira coletiva. O local onde ela está situada é de difícil acesso, os carros só chegam até cerca de 300 metros da favela. Os moradores enfrentam muitas dificuldades quando alguém adoece ou morre.
O início das obras está previsto para dentro de 15 dias. Os recursos serão repassados para os moradores em cinco parcelas. As construções serão executadas pelos próprios moradores, mas a prefeitura e a Cohapar vão oferecer a assistência de mestres-de-obras e engenheiros.
ExigênciasO morador que receber a parcela e não cumprir a etapa determinada para a construção, não receberá a parcela seguinte. Esse critério foi adotado para evitar que os moradores recebam o dinheiro e não construam as casas.
Segundo o secretário de Habitação, Leomar Kaminski Júnior, a prefeitura está firmando um convênio com o Senai para que os moradores aprendam a construir as casas através de cursos oferecidos pelo órgão. Dessa forma, além de construir a própria casa, o morador aprenderá uma profissão, disse.
Kaminski reconhece que o setor de moradias em Guarapuava ainda é problemático. O número de favelas para uma cidade do porte de Guarapuava é muito alto. Tem muita gente morando em condições subumanas, correndo sérios riscos de saúde. O problema habitacional aqui é muito grave, afirmou.
EmpregoO coordenador de estudos sócio-econômicos da Secretaria Municipal de Promoção Social, Eurides Alves Boeira, disse que durante o levantamento na Toca da Onça, foi constatado que das 95 pessoas que trabalham, apenas seis têm emprego fixo.
Segundo ele, como o lugar é de difícil acesso, muitos pessoas envolvidas em crimes foram morar na favela. Assim quando a polícia chegava lá em cima do morro, dava tempo deles fugiram para o matagal. A viatura não desce até lá, argumenta.
A maioria das famílias saem para mendigar todos os dias. Quase ninguém tem trabalho, eles necessitam de formação profissional urgente. Mas na Toca da Onça eles não podem continuar, como é área de manancial é a saúde de toda a população que está correndo risco, afirmou Boeira.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Florestal e Turismo (Semaflotur) vai reflorestar a área para evitar que outras famílias se instalem na área.


