Santa Amélia Os guaranis nhandevas da Reserva de Laranjinha, no município de Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio) vestiram-se a caráter, pintaram o rosto, entoaram cânticos e mostraram suas lanças em uma mobilização pacífica contra a demora na resposta do Ministério da Justiça para pedido de nova demarcação de terras para a tribo.
Atualmente, homens, mulheres e crianças ááá cerca de 60 famílias e 250 pessoas vivem em uma área de apenas 117 alqueires, porção formada por morros não-agricultáveis e parcelas de pedregulhos. A atividade agrícola, historicamente de subsistência, está em crise há pelo menos três anos.
Segundo os líderes do movimento, os índios de Laranjinha acumulam uma dívida de R$ 50 mil junto ao Banco do Brasil e não sabem como vencer a inadimplência e a falta de acesso aos recursos que financiariam as próximas safras. Outra alternativa de renda, a exploração de fonte de água mineral, também está emperrada na burocracia do governo federal.
Os índios, liderados pelo cacique Mário Raulino Sampaio, 47 anos, atravessaram toras para bloquear as três entradas da aldeia. Eles instalaram faixas lembrando a maior bandeira das antigas e das novas gerações: mais terra e mais prosperidade para a etnia, que há 12 anos luta para expandir seus limites no Norte Pioneiro.
As faixas continham mensagens como ''nhadekuery reipota mboae reko'apy'' (ou ''Queremos nossa aldeia'', em tradução livre), ''Preserve nossa identidade e demarque nossa terra'', ''A comunidade pede urgência na demarcação e homologação do posto velho'' e o mais direta: ''Senhor Ministro Thomaz Bastos, para vivermos como povo guarani nhandeva precisamos de nossa terra demarcada''.
Os guaranis ameaçam fazer a próxima manifestação onde estão os restos mortais de seus antepassados. Este ponto marcaria o núcleo de moradores da antiga aldeia, localizada no município de Abatiá. A reserva antiga ou ''posto velho'', como dizem os índios, é 18 vezes maior que a atual. São cerca de 2 mil alqueires que hoje estão tomados por cultivo intensivo de várias culturas, entre elas a rentável alfafa. É justamente esta área que pleiteiam junto ao governo federal. ''Se o governo não fizer nada, nós vamos fazer'', ameaçou o cacique.

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