Guairacá ganha pavimentação com pedras
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Depois de aproximadamente 15 anos sem pavimentar estradas rurais, a Secretaria Municipal de Agricultura está calçando com pedras irregulares a rua principal do patrimônio de Guairacá (30 quilômetros ao sul de Londrina). A medida deve conter a poeira e o barro, mas divide a opinião de moradores e comerciantes. O ritmo lento das obras e as dúvidas em relação à eficácia dos materiais utilizados - pedra e terra - impedem que a população respire aliviada.
''O serviço está devagar demais, estamos quase morrendo com tanta poeira por aqui'', reclama o comerciante Edmilson Alecrim da Silva, que mantém uma pequena mercearia no lugarejo. Na tarde da última terça-feira a reportagem o encontrou sentado em frente ao estabelecimento, com apenas uma das portas abertas, e mesmo assim pela metade. ''Ultimamente não dá para abrir tudo. Tem produto que estraga com tanta terra. E pelo jeito isso aí ainda vai longe.''
Para outro morador do patrimônio, Paulo Ovídio, o serviço está sendo bem feito, mas com um pouco mais de investimento o resultado seria bem superior. ''Do jeito que está sendo feito ainda vamos ter pó e barro por muito tempo. Melhor seria usar o próprio pó resultante do corte das pedras para fazer o rejuntamento.'' Ovídio também acha que a pavimentação de apenas parte da estrada de acesso a Guairacá (as pedras serão colocadas em 2,1 quilômetros da via central do patrimônio e nos 900 metros antes de chegar na ponte, trecho crítico que impede a passagem de ônibus em dias de chuva) não vai ser suficiente. ''Para a população a estrada toda é crítica, é não só a parte próxima à ponte'', diz.
Joana D'arc Francisco Brazão, que tem um bar na mesma rua, está confiante no aumento de vendas no comércio. ''Acho que o pessoal vai frequentar mais. No calor vem muita gente para a prainha na beira do Tibagi (a cerca de 4 quilômetros do patrimônio).'' Para Joana, perto do que era antes, as pedras já melhoraram 100% das condições da via.
O representante da Dang Engenharia - empresa responsável pela obra -, João Maria de Jesus, explica que o ritmo dos trabalhos é normal. ''É um serviço totalmente manual, é demorado mesmo. Não tem jeito porque tem que encaixar tudo certinho. É que o pessoal daqui nunca viu este tipo de pavimentação'', justifica. Segundo Jesus, no total são 20 homens trabalhando na rua e no local de onde as pedras são retiradas, e o prazo para o término da pavimentação dos três quilômetros é de seis meses. Porém o serviço foi iniciado há 3,5 meses e até agora foram pavimentados aproximadamente 750 metros.
O secretário municipal de Agricultura, Nilson Ladeia, admitiu que os seis meses previstos no contrato não serão suficientes e já foi feito um termo aditivo ampliando o prazo para mais 60 dias. Se ainda assim o trabalho não for concluído será assinado mais um termo dando novo prazo à empresa.
Ladeia esclareceu ainda que a pavimentação está sendo feita em parceria com o governo do Estado, através do Programa Caminhos da Roça, que financia 60% da obra. De acordo com o secretário a técnica adotada, com o uso de pedras irregulares, sai bem mais em conta que o asfalto, viabilizando a pavimentação. ''O uso de massa asfáltica tem um custo de R$ 250 a R$ 300 mil por quilômetro, enquanto o uso de pedras custa de R$ 80 a R$ 90 mil por quilômetro.''
Ainda segundo Ladeia, depois que o material - uma espécie de paralelepípedo, retirado manualmente de pedra-bola, que não se lasca com tanta facilidade como o proveniente de pedreiras - for totalmente assentado, será utilizado o pó de pedra para dar o acabamento. ''Utilizamos a argila para fazer a fixação porque é mais eficiente'', argumenta. Ele informa ainda que a secretaria tem intenção, logo em seguida, de pavimentar o resto da estrada que dá acesso ao patrimônio. ''Já está programado.''
As próximas estradas a serem pavimentadas, informa Ladeia, são os cinco quilômetros da Usina do Apucaraninha, ainda este ano, e a via que liga a Usina 3 Bocas ao Limoeiro, também com extensão de cinco quilômetros. De acordo com o secretário, o contrato para a pavimentação da Usina do Apucaraninha já foi assinado, mas a empresa tem tido dificuldade para encontrar pedra na região. Quanto à demora em retomar a pavimentação de estradas rurais nos municípios, ele diz que a prioridade, até então, eram as readequações. ''Daqui para a frente vamos tocar os dois tipos de serviço'', garante.


