O acampamento da Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava), vive em clima de tensão. Os sem-terra estão divididos em dois grupos e trocam acusações e ameaças. Um grupo é liderado pela coordenação regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O outro é ‘chefiado’ por Antonio Barbosa, o ‘‘Preto’’.
O MST divulgou nota alegando que o grupo de Preto é dissidente do acampamento e que foi expulso por mau comportamento. Segundo o MST, os ‘‘dissidentes’’ são cerca de 100 famílias que estariam sendo acobertadas por políticos de Rio Bonito do Iguaçu.
‘‘Três acampados são líderes do grupo dissidente e tiveram apoio de políticos inescrupulosos de Rio Bonito do Iguaçu, que tentaram cooptar o MST. Como não conseguiram, promoveram a dissidência. Esta ‘malcomunação’ tem trazido vários aborrecimentos ao MST e à sociedade da região. Pois de fato, são um grupo que faz tráfico de drogas, assaltos, sequestros, roubos e atacam pessoas, inclusive com estupros de crianças’’, diz a nota.
A nota diz ainda que o MST não tem nenhuma ligação com o sequestro do agrônomo Eliseu Fernando Telli, ocorrido recentemente em Rio Bonito do Iguaçu. Telli foi solto dois dias depois do sequestro, sem o pagamento do resgate, que seria de R$ 30 mil. A polícia só conseguiu prender um dos seis sequestradores.
‘‘Três sequestradores são acampados e três são moradores de Rio Bonito do Iguaçu. Eles não tem nenhuma ligação com a nossa organização. Eles pertencem ao grupo dissidente que foi expulso por comportamento inadequado com os nossos princípios morais, éticos e políticos’’, explica a nota.
O delegado de Rio Bonito do Iguaçu, Brasiliano Mello, disse por telefone à Folha que há muitas divergências no acampamento e que frequentemente a polícia precisa intervir para evitar conflitos.
‘‘Parece uma guerra, eles estão para se matar. Primeiro chegaram tudo junto e agora é só briga e confusão. Qualquer dia pode acontecer o pior.’’ Mello não descartou a possibilidade de haver tráfico de drogas e de armas no acampamento.
A coordenação estadual do MST disse ter conhecimento da dissidência que existe no acampamento, mas que não se pronunciaria a respeito, deixando o assunto para a coordenação regional. A superintendente do Incra, Maria de Oliveira, disse que a divisão existe desde a invasão. ‘‘Nós já selecionamos as famílias que têm perfil para permanecer. Tem famílias dos dois grupos, mas nós não vamos permitir desordem. Se tiver briga a gente tira de lᒒ, afirmou.

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