Grupos religiosos buscam na noite as ovelhas desgarradas
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
José Fernando da Silva e Guilherme Vieira 
Uma pesquisa realizada pelo Grupo Dignidade de Curitiba, com o objetivo inicial de previnir doenças sexualmente transmissíveis, revelou que 98% das mulheres da cidade que se prostituem desejam parar de fazer programas. Não há dados de quantas mulheres deixam a prostituição. Mas o fato é que poucas conseguem se livrar da chamada vida fácil. Fatores sociais como desemprego, salários muito baixos, além da falta de qualificação profissional, colaboram para que essas mulheres permaneçam na prostituição.
Evangélicos e católicos procuram fazer uma espécie de cruzada para recuperar o que para eles são almas perdidas. E a pesquisa do Grupo Dignidade reforça os propósitos dos religiosos: 98% dessas mulheres acreditam em Deus. Sendo que, deste percentual, 80,74% são católicas; 6,42%, espíritas; 6,08%, evangélicas e o restante tem outros credos.
As ações realizadas por esses grupos religiosos quase sempre dependem do trabalho voluntário de pessoas voltadas para a caridade, sem a participação ou maior envolvimento dos líderes das igrejas. A reportagem da Folha conseguiu localizar grupos de missionários evangélicos e católicos que percorrem a noite curitibana atrás de ovelhas desgarradas.
Esses grupos têm praticamente a mesma estratégia. Buscam uma aproximação com as prostitutas com a intenção de iniciar um relacionamento fraterno. Nesses contatos, as ações dos voluntários são praticamentes as mesmas: tentam quebrar a barreira da desconfiança durante as conversas, ao mesmo tempo em que visam a estimular a auto-estima das garotas e a necessidade da religiosidade como apoio e instrumento para a mudança de rumo na vida.


