Grupos querem ativação de ala do HU
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 1999
Osmani Costa 
O Dia Internacional de Solidariedade às Pessoas que vivem com Aids, ontem, foi lembrado em Londrina pela Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia), o Grupo Homossexual Londrinense (GHL) e o Grupo Reagir, de apoio aos soropositivos, que realizaram durante a tarde uma manifestação no centro da cidade.
Além de criticarem a discriminação de parte da população e das autoridades em relação aos portadores do vírus do HIV, as entidades protestaram contra a demora no início do funcionamento do setor especializado do Hospital Universitário (HU) para o atendimento a doentes com Aids, o chamado hospital-dia. Este setor, com oito leitos, foi equipado com recursos do governo federal e inaugurado em novembro do ano passado, mas ainda não entrou em funcionamento por falta de pessoal.
Este hospital-dia do HU é da maior importância para os portadores de HIV que não necessitam de internamento. É um desrespeito, uma vergonha que ainda não esteja funcionando mais de seis meses depois de pronto. Isto demonstra que o atendimento à saúde dos soropositivos não é prioridade do governo, criticou o presidente do GHL, Edison Bezerra da Silva.
Durante a manifestação, dez travestis integrantes do GHL distribuíram panfletos e a fitinha vermelha - símbolo internacional da luta contra a Aids - às pessoas que passaram pelo Calçadão da Avenida Paraná (área central). O novo setor do HU possui os mais modernos equipamentos para um tratamento digno aos pacientes, inclusive ar-condicionado e TVs. Ele não pode continuar fechado enquanto os doentes são atendidos em macas nos corredores, ressaltou o presidente do GHL.
O coordenador geral da Alia, Roni Lima, também critica a demora no funcionamento do hospital-dia do HU. Já são 636 os doentes de Aids com casos notificados em Londrina. Infelizmente, a estrutura de atendimento hospitalar é pequena e se concentra no HU. Por isto, o funcionamento deste novo setor é indispensável; já devia ter ocorrido.
O superintendente do HU, Cláudio Camacho, confirma que o novo setor é bem-equipado e ainda não entrou em funcionamento por falta de pessoal. Dependemos da contratação de 13 funcionários, sendo um médico e 12 profissionais da apoio do setor de enfermagem, explica, lembrando que o Ministério da Saúde investiu R$ 40.000,00 em investimentos.
Segundo Camacho, a contratação do pessoal não ocorreu ainda por causa da crise financeira do governo do Estado. No final do ano passado, o governo alegava a proibição imposta pela legislação eleitoral. No início deste ano, ele simplesmente proibiu toda e qualquer contratação, lembrou o superintendente do hospital-escola que pertence à Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Agora, desde o início de abril, com a autonomia da UEL, estamos negociando as contratações necessárias com a administração da universidade. Esperamos que elas sejam liberadas em breve, para que possamos colocar à disposição da comunidade mais este importante serviço, disse Claudio Camacho. De acordo com ele, o novo setor vai elevar de 12 para 30 o número de doentes de Aids que poderão ser atendidos diariamente no setor de aplicação de medicamentos, sem a necessidade de internação.
Estiveram ontem em Londrina, acompanhando a manifestação promovida pela Alia e GHL, alguns membros da ONG Gotas de Esperança, que está sendo criada em Paranavaí para o atendimento e apoio psicossocial aos portadores do HIV e suas famílias. (O.C.)


