Lúcio Flávio Moura
De Londrina
A família Ritti, que compõe o principal grupo de oposição ao prefeito de Santo Antônio da Platina, Flávio Maiorky (PSDB), está acusando a administração municipal de favorecimento ao Frigorífico Pérola do Norte, o maior do Norte Pioneiro. O frigorífico negocia uma permuta para ter a posse definitiva do terreno no qual está instalado, que ainda pertence ao município, conforme contrato de comodato firmado em 1989.
José Guilherme Ritti, médico e pecuarista que possivelmente concorrerá à sucessão de Maiorky, está liderando um grupo de 12 empresários que pretende adquirir o terreno e as instalações do frigorífico em troca de outra propriedade, de 8,5 hectares com 10 barracões industriais de 100 metros quadrados.
A oferta é uma contraproposta à transação que está sendo negociada entre José Henrique Viera, dono do frigorífico, e a prefeitura. Em troca da propriedade onde está instalada a unidade industrial, Vieira oferece um outro terreno, de pouco mais de 8 hectares, com cinco barracões, também de 100 metros quadrados.
‘‘Nós queríamos a licitação para venda do imóvel, o que seria mais correto em se tratando de patrimônio público, mas um processo deste seria desgastante e corria-se o risco da atividade econômica do município ser prejudicada com o impasse’’, justifica o tabelião José Arthur Ritti, irmão de José Guilherme, que também participa do lobby contra a transação.
Para os Ritti, que governaram Santo Antônio da Platina por oito anos consecutivos (José Ritti Filho, de 89 e 92, e Maria Eni Ritti, de 93 a 96), a permuta é ‘‘ um negócio da China’’ para o Grupo Pérola do Norte. ‘‘Essa é a segunda vez que eles tentam trocar o que é do município por algo que não chega a valer 1% do que realmente vale, cerca de R$ 1,5 milhão’’, calcula José Guilherme, referindo-se a uma decisão judicial em 1998 que impediu negócio semelhante.
A vigência do contrato de comodato acaba em outubro de 2007. Depois desta data o município receberia o terreno de volta e todas as benfeitorias sem nenhum ônus. O contrato não prevê a possibilidade do direito de venda do terreno durante sua vigência.
‘‘Quem vai aguardar 7 anos para receber o frigorífico? Nem mesmo os Ritti aceitariam isto’’, questiona Vieira. O empresário afirma que a compra resolveria problemas burocráticos que o Peróla do Norte vem enfrentando, o que viabilizaria até mesmo uma possível ampliação da unidade. Os municípios de Joaquim Távora e Jacarezinho já teriam oferecido estrutura para que Vieira transferisse imediatamente o frigorífico e se livrasse dos atuais entraves.
‘‘A comunidade sabe o quanto precisamos desta indústria. Vários pecuaristas já me procuraram e disseram para a prefeitura tentar alguma forma de manter o frigorífico na cidade’’, assegura Celso Botelho Manhas, secretário municipal de Desenvolvimento.
O secretário ressalta que a idéia ainda é uma proposta que deve passar por discussão na Câmara dos Vereadores e pelo Departamento Jurídico da prefeitura. ‘‘Somente quando ficar claro para a população que a permuta é uma boa solução para o impasse e tivermos amparo legal é que a transação será concretizada’’, esclarece.
Segundo Manhas, a credibilidade é o grande trunfo dos atuais gestores do frigorífico com relação a seus possíveis concorrentes. ‘‘Eles conseguiram consolidar a empresa pagando em dia funcionários e fornecedores, enquanto o José Guilherme é inexperiente e não transmite confiança aos pecuaristas’’, afirmou. A princípio, o prefeito Flávio Mayorki preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Em uma segunda tentativa, feita ontem, a assessoria informou que ele estava em Curitiba. (Colaborou Mireili Baroni)

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