Curitiba - Percorrendo o trajeto de uma ponta a outra do calçadão da Rua XV de Novembro, centro de Curitiba, o funcionário do departamento de fiscalização da prefeitura Antônio Gabriel Dybax recolhe entre dois e cinco quilos de panfletos com anúncios sexuais dos telefones públicos.
O serviço parece não ter fim. ''Daqui a cinco minutos já vai ter gente repondo'', observa Dybax.
Segundo ele, o pico da atividade dos panfleteiros (que distribuem o material publicitário entre os orelhões) ocorre entre 11h30 e 13h30, horário em que haveria menos policiais militares e guardas municipais nas ruas. A presença desses profissioanis reprime a ação dos panfleteiros, que já chegaram a ameaçar o Dybax e a sua família.
''É direto, tem um bando das nervosinhas que diz que vai me pegar, que sabe onde eu moro'', conta ele, que afirma não se intimidar com as represálias. Ele conta que até um tempo atrás eram os próprios garis que efetuam a limpeza das ruas, que retiravam os anúncios. No entanto, depois das constantes ameaças dos panfleteiros, eles teriam sido orientados pela empresa responsável pela limpeza pública para interromperem esse trabalho.
Há um ano e quatro meses trabalhando no anel central da cidade, Dybax conta que já descobriu como operam as pessoas que divulgam a prostituição nos telefones públicos. ''São uns nove agenciadores, cada um coloca cinco, seis moleques para colocar os anúncios'', observa. Por esse serviço, esses meninos e meninas recebriam algo em torno de R$ 60,00 por dia. Segundo o fiscal, não é raro assistir brigas entre grupos rivais de panfleteiros, que disputam palmo a palmo o espaço nos orelhões do centro. (A.A.)

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