Mais respeito, reconhecimento, qualidade de vida e espaço para desenvolver atividades produtivas na sociedade. Estas são as principais reivindicações dos grupos organizados de idosos de Londrina, que participam das atividades da Semana Nacional do Idoso, aberta ontem.
O presidente do Centro de Trabalho Social e Atendimento ao Idoso de Londrina (Centrasil), Jonas Emiliano Guimarães, 68 anos, diz que cidade ainda está ‘‘engatinhando’’ no que diz respeito aos direitos dos idosos.
A lei 8.842 de janeiro de 1994 assegura os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação na sociedade. ‘‘Mas tudo isto continua só no papel e o idoso continua sendo excluído da sociedade, renegado pela família e destituído de sua capacidade produtiva’’, critica. Para ele, além dos fatores econômico-sociais que levam a maioria dos idosos a viver na miséria, falta uma política municipal para o idoso, que coloque em prática o que determina a lei.
Das ações de apoio à pessoa idosa previstas pela Política Nacional do Idoso, diz Guimarães, Londrina conta hoje com apenas dois dos 17 programas: a Universidade Aberta da Terceira Idade e o atendimento geral prestado pela Secretaria de Ação Social. Faltam, entre outros programas, o serviço de atenção à saúde do idoso; desenvolvimento de atividades culturais; geração de empregos e rendas; qualificação e requalificação profissional.
‘‘Os idosos não conhecem seus direitos e o poder público não se preocupa em divulgá-los. O trabalho sobra para a iniciativa dos poucos grupos que têm como prioridade recuperar a auto-estima do idoso; provar para que ele está vivo e tem direitos’’, acentua Abdon de Souza Aquino, do Grupo Renascer da Igreja Nossa Senhora do Rosário, da Vila Recreio.
O lazer, diz ele, é a melhor forma de ajudar o idoso a recuperar a ‘‘alegria de viver’’. Por isto todos os grupos de idosos trabalham inicialmente nesta área. A organização de festas, bingos e outras atividades recreativas junto às comunidades atraem os idosos que, além de se sentirem úteis, ainda encontram nas promoções uma forma de arrecadar fundos para passeios e viagens. Até nisto, acentua, o idoso é excluído. ‘‘Londrina não tem opções de lazer para o idoso’’, afirma Aquino.
Mas os idosos, acentuam as duas lideranças, não vivem só de bailes. ‘‘Queremos um centro de convivência para desenvolver projetos de valorização do idoso e reintegração dele na sociedade, começando pela própria família’’, reforça Jonas Guimarães.
A professora de educação física e educadora Matilde Cavalcanti, afirma que a única forma de os idosos defenderem seus direitos está na união dos vários grupos da cidade. ‘‘O governo federal abriu a porta e tem recursos e a administração municipal é acessível. Só falta os grupos se unirem, organizarem suas reivindicações e irem à luta’’, afirma. Ela está assessorando a Centrasil e o Renascer para tentar aglutinar os movimentos.
A secretária de Ação Social de Londrina, Marisa Goettel do Nascimento, não concorda que Londrina esteja engatinhando no que se refere a política de atendimento ao idoso. Segundo ela, o que acontece é que os idosos são atendidos por diversas instituições.
‘‘Quando o assunto é algum tipo de assistência afeto à nossa Secretaria, nós atendemos. A Universidade de Londrina também presta atendimento, o Sesc além de outras instituições. É certo que a demanda é grande e há muito o que fazer, mas, no nosso entendimento, Londrina tem conseguido grandes avanços nessa questão’’, disse Marisa Goettel.

POPULAÇÃO
-Londrina tem 30.321 idosos (28.719 na zona urbana e 1.512 na zona rural).
-Da população idosa da cidade, 20% passam pela Secretaria de Ação Social em busca de algum atendimento ou orientação.
-São seis asilos conveniados com a prefeitura. Juntas as instituições conveniadas atendem 200 idosos.
Fonte: Secretaria de Ação Social de Londrina

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