Encenação no CSU da Vila Portuguesa chega à 39ª edição
Encenação no CSU da Vila Portuguesa chega à 39ª edição | Foto: Fotos: Divulgação



A história é antiga, mas a sensação única de revivê-la não. Por isso, na semana em que se comemora a Páscoa, grupos de teatro de Londrina se preparam para apresentar neste feriado de Sexta-Feira Santa (14) um dos mais importantes espetáculos para os cristãos, encenando a paixão, morte e ressurreição de Jesus, atraindo milhares de espectadores de todas as idades e locais.

Mais antiga da cidade, a encenação na Vila Portuguesa, na região central, chega em 2017 à sua 39ª edição. Cerca de 550 pessoas estão envolvidas, entre atores, contrarregras e responsáveis pelo som, iluminação, confecção e divulgação. A preparação teve início ainda em 2016, com reuniões dos organizadores e participantes. Os ensaios começaram há três meses.

São esperadas 30 mil pessoas na apresentação, que terá como palco o Centro Social Urbano (CSU). "A expectativa sempre é grande, principalmente agora que o grupo está quase alcançando 40 anos", enalteceu Davi Gonçalves Dias, de 29 anos, coordenador de marketing do grupo e um dos responsáveis pela organização.

O grupo, que começou ligado à Paróquia Nossa Senhora da Paz, na Avenida Duque de Caxias, hoje conta com a participação de moradores de várias regiões de Londrina e fiéis de outras crenças. Prova do crescimento é a participação de membros da Polícia Militar e Tiro de Guerra, que farão o papel do exército, relembrando a força do poderio romano da época.

Para Dias, que faz parte da encenação desde criança, junto com os pais e irmãos, a composição vai muito além da apresentação. "Além do trabalho cristão, tem o trabalho comunitário, ajuda social e ética dentro da comunidade, que vem ajudando e compartilhando o verdadeiro cristianismo."

Cerca de 200 pessoas estão envolvidas no espetáculo no Conjunto Lindoia
Cerca de 200 pessoas estão envolvidas no espetáculo no Conjunto Lindoia



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Completando 20 anos, o grupo do Conjunto Lindoia, na zona leste, também promete muita emoção na encenação. Com a expectativa de um público de oito mil pessoas, Leandro Wilson Dorati, de 41, um dos responsáveis pelo trabalho, conta que mais de 200 pessoas, a grande maioria pertencente à Paróquia Cristo Bom Pastor, estão envolvidas nos preparativos. A encenação terá a duração de 90 minutos e acontecerá em um campo de futebol na Rua Nova Esperança.

Segundo Dorati, anualmente é feita uma pesquisa sobre o fator histórico e também uma reflexão sobre o calendário da igreja para que o espetáculo esteja sempre atual. "Vamos tentando adaptar para nossa realidade. A Paixão não muda, mas as outra histórias e milagres renovamos conforme o momento atual", explica.

Contando sempre com a verba do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, os grupos foram pegos de surpresa neste ano, assim como outros ligadas à área cultural, quando o Promic foi cancelado pela Prefeitura. "O dinheiro acabou não vindo e isso motivou as pessoas a participarem ativamente; tivemos que fazer promoções e rifas", conta Dorati. No dia da apresentação, barracas de bebidas e alimentos estarão funcionando no local e o dinheiro arrecadado será revertido para o pagamento de despesas.

Na Vila Portuguesa, a alternativa foi buscar patrocínios. "Estamos tentando angariar alguns recursos com a Prefeitura, como som e iluminação, e no restante estamos nos virando e arrecadando patrocínios e pessoas que contribuem. O dinheiro do Promic sempre nos ajudava", lamentou Dias.

EMOÇÃO
Seja com uma longa trajetória ou começando agora, a emoção de participar de uma encenação tão representativa é a mesma. Interpretando Jesus pela segunda vez na Vila Portuguesa, e envolvido com o grupo há 15 anos, Edson de Souza Junior, de 37, conta que já interpretou vários personagens, entre eles soldados, sacerdotes e José. Para ele, todos têm importância e, como forma de incentivar a família a se envolver, a esposa e os dois filhos também estão na apresentação.

Interpretando o protagonista, Souza Junior revela o misto de sensações ao entrar em cena. "Venho ensaiando muito para chegar na hora e dar o máximo", diz. Sobre a maior dificuldade, ele revela que o momento da flagelação e crucificação acabam exigindo mais. "Interpretar Jesus é mais difícil, pois exige muita concentração, decoração de falas, gestos, tempo de entrada e saída. E, após a encenação, acabo chegando no trabalho todo roxo", brinca.

Morador de Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina), Varmisley Ferreira da Silva, de 34, irá participar pela primeira vez da encenação na Vila Portuguesa. Envolvido em teatros da igreja quando criança, ele conheceu o grupo através de amigos. Em razão da distância entre as cidades, esta também será a primeira vez que vai ver a encenação. "Estou bem ansioso para sexta, é algo muito interessante de retratar. É um misto de medo e adrenalina que não se consegue medir. São muitas pessoas envolvidas e isso é algo de uma riqueza imensa."

SERVIÇO
Nas duas encenações, a programação começará mais cedo com shows, atividades e atrações em geral. No CSU da Vila Portuguesa o início está marcado para as 18h30 e no Conjunto Lindoia (Rua Nova Esperança) às 19 horas, com a encenação da Paixão de Cristo previsto para as 20 horas.

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