Grupos ajudam controlar doença
Maigue Gueths
De Curitiba
Há sete anos, Pedro José Dias, vigilante aposentado de 61 anos, queixava-se de inchaço nas pernas e evitava qualquer atividade física. Depois de consultar o médico na Unidade de Saúde de seu bairro e diagnosticar pressão na média de 15 por 21, começou a mudar de vida. Incentivado pelo médico, ele passou a frequentar as reuniões do Grupo de Hipertensos da Unidade e, hoje, integrando um grupo de 100 pessoas, faz ginástica, conversa e troca idéias para garantir mais qualidade de vida.
O grupo formado na Unidade de Saúde Camargo, no bairro do Cajuru, não é único de Curitiba. Só ali são atendidos 240 hipertensos. Uma centena costuma frequentar as reuniões toda primeira quarta-feira do mês. O programa das unidades de saúde da Prefeitura de Curitiba está garantindo o controle da hipertensão de 18 mil curitibanos.
A aferição regular da pressão arterial em consultas periódicas faz parte da orientação aos pacientes, mas é nas reuniões mensais que os pacientes se realizam. Nesse dia, tanto pode acontecer uma sessão de ginástica, como uma palestra sobre alimentação e uso correto de medicamentos, passeios a pontos turísticos da cidade ou caminhadas.
O clínico geral Mário Stival é responsável pelo grupo da Unidade Camargo, que chega a reunir até 120 pesoas entre 40 a 80 anos. Meu objetivo é preparar este pessoal para enfrentar a terceira idade de forma mais digna, com mais tolerância. Falo com eles sobre tudo, principalmente como melhorar a qualidade da vida, diz.
Renilda de Carvalho, de 66 anos, conta que passou a frequentar a unidade há 13 anos, com pressão alta, 80 quilos, estressada, desanimada, meio revoltada com a vida. Nesse período ela foi operada, colocou quatro pontes de safena, curou uma úlcera e aprendeu novos hábitos. Eu comecei a viver de novo, emagreci, sou uma pessoa alegre, que gosta de conversar, de dançar, de passear. Nair de Lemos, 52 anos, tem uma história parecida. Há 5 anos, após a morte de seu pai ela estava com depressão e pressão alta e foi incentivada a participar do grupo de hipertensos. Eu era muito fechada e acabei aprendendo a conviver com as pessoas, diz. Edviga Rocha, de 78 anos, também só vê benefícios na sua participação no grupo. Eu tinha dor nas juntas dos pés, artrose. Hoje faço ginástica e tudo melhorou 100%, conta.
O médico Mário Stival confirma que é sensível a mudança das pessoas ao frequentar os grupos. No começo, 50% delas eram hipertensas consideradas graves, tomavam de 10 a 20 medicações por dia, e estavam desorientadas no tratamento. Hoje, no máximo 20% ainda têm problemas graves, o restante só problemas leves e moderados.





