O Município vai ter de garantir o abastecimento de água potável para as cerca de 1.500 famílias que invadiram fundos de vale e áreas particulares em Londrina. Essa foi a primeira decisão prática do grupo de estudos que busca alternativas para a falta de moradia na Cidade. O grupo tem representantes da comunidade e do poder público.
O grupo se reuniu ontem de manhã na Câmara de Vereadores. Uma comissão vai reivindicar junto à Sanepar, ainda hoje, às 10 horas, que sejam colocadas torneiras comunitárias em caráter provisório nos 23 locais já invadidos. O problema do abastecimento de água foi considerado prioridade pelo grupo. As famílias que invadiram fundos de vale estão utilizando água de mananciais poluídos, colocando em risco a saúde de adultos e crianças. O presidente da Federação das Favelas e Assentamentos, José Ricardo da Silva, diz que a entidade está disposta a assumir a responsabilidade sobre o pagamento da conta de água nas 23 invasões.
‘‘As famílias, no entanto, não devem encarar a assistência como um consentimento de permanência no local. O abastecimento de água será em caráter provisório até que o grupo consiga locais adequados para o assentamento’’, comenta o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares.
Foi descartada a possibilidade de usar a Fazenda Refúgio para assentamento das 1.500 famílias. O grupo entende que o local não é apropriado para moradia e avalia a chance de assentar as famílias no Mirante do Eldorado (zona norte). A falta de informações concretas sobre a ocupação do solo urbano em Londrina limitou o avanço do trabalho do grupo.
Tavares explicou que é impossível definir propostas práticas sem ter o número e a localização dos terrenos pertencentes ao município e à Cohab. O grupo definiu pelo envio de ofícios ao prefeito Antonio Belinati (PDT) e ao presidente da Cohab, Wilson Mandelli. Prefeitura e Cohab foram chamados a apresentar, o mais rápido possível, informações detalhadas sobre a situação das loteadoras (se devem ou não ao Município), localização dos terrenos públicos e projetos de habitação.
O diretor social da Cohab, Humberto Rodrigues de Lima, questionou: ‘‘As famílias devem ser retiradas do terreno? Deve ser pedida a reintegração de posse? Sem definir questões práticas como essas, vamos ficar fragilizados quando novas ocupações acontecerem’’. Para Humberto de Lima, o debate sobre uma política habitacional para a Cidade não deve se restringir a um grupo de 14 pessoas. ‘‘Um assunto tão importante precisa envolver toda a comunidade.’’

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